MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Após operar em queda pela manhã com uma realização de lucros puxada por dados do mercado de trabalho norte-americano, o Ibovespa zerou perdas e ensaia uma alta amparada por uma virada de ações de bancos e da Petrobras.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,16% aos 103.808,70 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,37% aos 104.485 pontos.

As ações de bancos passaram a subir e aceleraram ganhos neste momento, com destaque para as ações do Itaú Unibanco e do Bradesco. Os papéis da Petrobras também se firmaram em campo positivo apesar dos preços do petróleo ainda operarem em leve queda.

No sentido contrário, as ações da Vale e de siderúrgicas ainda operam com fortes quedas e registram as maiores perdas do Ibovespa, impedindo que o índice suba mais ao refletir a derrocada dos preços do minério de ferro. A notícia de que um grupo de grandes siderúrgicas chinesas se reuniu para pedir ao governo que investigue a elevação de preços recentes e promova maior estabilidade no mercado, levou a commodity a cair mais de 4% na bolsa de Dalian.

Analistas têm visto o Ibovespa operando em níveis mais elevados depois que a reforma da Previdência foi aprovada na comissão especial da Câmara dos Deputados, o que pode fazer com que seja aprovada no plenário da Casa antes do recesso parlamentar, que começa no dia 18 de julho. “A aprovação em primeiro turno seria uma sinalização positiva para o mercado de que a reforma está caminhando em bom ritmo”, disseram os analistas da XP Investimentos, em relatório.

O otimismo com o andamento da reforma parece estar fazendo com que investidores ignorem os números mais fortes do mercado de trabalho norte-americano, que esfriaram expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) eleve juros já este mês e faz as bolsas do país caírem.

O dólar comercial acelerou os ganhos frente ao real acompanhando o dia mais negativo no exterior, onde a moeda estrangeira ganha força em meio aos dados mais fortes do relatório de empregos, o payroll, frustrando a expectativa de investidores de corte da taxa de juros nos Estados Unidos na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do banco central norte-americano, Fed, no fim do mês.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,47%, sendo negociado a R$ 3,8190 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 0,38%, cotado a R$ 3,824.

O payroll trouxe dados acima do esperado com a criação de 224 mil vagas ante projeção de 169 mil vagas, no mês passado, segundo levantamento do Termômetro CMA. Enquanto o salário médio por hora somou US$ 27,90 em junho, alta de 0,2% ante US$ 27,84 registrados em maio. O resultado veio em linha com expectativas do mercado em base mensal.

“Embora os salários tenham sustentado evolução amena, a reação expressiva do payroll coloca em xeque a aposta majoritária dos mercados, de que o Fed iniciaria um processo de corte de juros já na reunião deste mês. É provável que o movimento fique para setembro, o que reanima o dólar e os juros das treasuries, após um período de baixa”, comenta o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos.

Os papeis dos títulos de dívidas do governo norte-americano, as treasuries, operam em forte alta, com o vencimento para dez anos (T-Note) tendo valorização de quase 6%. A equipe econômica da Capital Economics reforça que os dados “apoiam a visão” de que as autoridades do Fed estão mais propensas a esperar até setembro antes de afrouxar a política monetária.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) passam por uma sessão de correção após a aprovação do texto-base da reforma da Previdência na noite de ontem. Colabora para o ajuste o dado de criação de vagas de emprego nos Estados Unidos, o chamado payroll, que faz o dólar subir pelo mundo e influencia nas taxas por aqui.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,845%, de 5,875% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,67%, de 5,72% após o ajuste  anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,48%, de 6,48%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,00%, de 6,98%, na mesma comparação.