MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – Após oscilar no início do pregão, o Ibovespa firmou-se no campo positivo na esteira do bom humor externo em meio a expectativas de que bancos centrais mantenham políticas econômicas expansionistas, no entanto, o receio de um possível atraso na votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados pode trazer volatilidade ao longo do dia.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,06% aos 101.676,62 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 1,01% aos 102,235 pontos.

“Estamos acompanhando o cenário lá fora e ainda há expectativa de que a reforma possa ser votada até amanhã na comissão especial, o mercado segue comprado”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

No exterior, em dia de pregão reduzido nos Estados Unidos em função do feriado de amanhã, as bolsas norte-americanas têm leve alta, com o S&P 500 renovando recordes, e índices europeus também operam com ganhos.

Há previsões de que Christine Lagarde, hoje no Fundo Monetário Internacional (FMI) e que deverá substituir Mario Draghi à frente do Banco Central Europeu (BCE), é favorável à manutenção de políticas estimulativas (dovish). Segundo os analistas da SulAmérica Investimentos, o presidente norte-americano Donald Trump também deverá nomear dois novos membros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) favoráveis a juros mais baixos. Ainda foram divulgados uma série de dados da economia norte-americana, com destaque para a criação de vagas no setor privado, que vieram abaixo do esperado e também alimentam expectativas de cortes de juros.

Já no Brasil, o foco segue na Previdência e são observadas as negociações para que a votação possa ocorrer até amanhã, depois que algumas bancadas e partidos mostraram resistência ao texto lido ontem pelo relator. O texto trouxe uma economia um pouco acima dos R$ 1 trilhão em 10 anos prometidos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, além de manter de fora os Estados e municípios.

Entre as ações, as da Petrobras operam em alta depois que a estatal anunciou que irá realizar uma oferta pública de distribuição secundária de suas ações na BR Distribuidora, cujas ações caem e estão entre as maiores perdas do Ibovespa. O dia também é positivo para as ações do setor financeiro, com destaque para as ações da B3 que sobem depois de terem ficado de fora do aumento da alíquota do CSLL para instituições financeiras proposto no relatório da Previdência.

Já as maiores altas do Ibovespa são das ações da Via Varejo, que seguem em alta depois de já terem subido mais de 6% ontem. A notícia de que a companhia está mudando sua diretoria para fazer frente à concorrência do Magazine Luiza está animando investidores. Também têm fortes altas as ações da Gol, que teve sua recomendação elevada pelo Goldman Sachs, e da Azul. Na contramão, a Embraer registra a maior queda.

Em mais uma sessão volátil, o dólar comercial passou a cair frente ao real influenciado por indicadores norte-americanos divulgados ao longo da manhã, enquanto investidores locais seguem de olho no andamento da reforma da Previdência na comissão especial, na expectativa por votação no plenário ainda este mês.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,33%, sendo negociado a R$ 3,8420 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,09%, cotado a R$ 3,850.

A economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack, reforça que os dados de emprego no setor privado nos Estados Unidos (ADP) “mais fracos”, com a criação de 102 mil vagas no mês passado ante expectativa de criação de 135 mil vagas, mostra a fragilidade do mercado de trabalho nos Estados Unidos.  “O que alimenta a perspectiva de afrouxo monetário pelo Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano]”, diz. O dado é uma prévia do relatório de empregos do país, o payroll.

Aqui, o mercado segue atento aos passos da reforma da Previdência, após o parecer final do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) ser “finalmente” lido na comissão especial, ontem à noite, agora, investidores aguardam a votação do texto.

“Com as novas mudanças no texto [da Previdência], os atrasos imprevistos e a possibilidade de a oposição cumprir bem seu papel, efetuando obstruções à tramitação, é quase certo que a votação do relatório no plenário da Câmara fique para o mês que vem”, avalia o analista político da Levante, Felipe Berenguer.

Hoje o dólar tem menor pressão sobre as taxas futuras de Depósito Interfinanceiro (DI) após a leitura da reforma da Previdência pelo relator ontem, a dúvida que paira no momento é se o texto será votado hoje ou amanhã. Investidores apostam numa demora maior para a leitura, fazendo as taxas de curto prazo subirem. No médio e londo prazo, as taxas sobem apoiadas num otimismo externo maior hoje.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,015%, de 5,99% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,88%, de 5,84% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,64%, de 6,65%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,06%, de 7,10%, na mesma comparação.

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