MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa segue em alta de mais de 1% na manhã do primeiro pregão de julho e do semestre refletindo a trégua entre China e Estados Unidos, que decidiram retomar negociações comerciais. O bom humor trazido pelo cessar-fogo entre as duas potências reflete principalmente nas ações ligadas a commodities, com as ações de frigoríficos, de mineradoras e siderúrgicas e da Petrobras mostrando fortes ganhos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava avanço de 0,61% aos 101.58,14 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava alta de 0,95%, aos 102.335 pontos.

“Só tivemos notícias boas no fim de semana, os mercados lá fora estão animados, as bolsas norte-americanas estão renovando máximas e há muitos papéis fortes, Vale, Petrobras…”, afirmou o economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo.

O presidente norte-americano Donald Trump disse após encontro com o presidente chinês XI Jinping, durante o G-20, que não irá aplicar novas tarifas à China por enquanto e que permitirá que as empresas norte-americanas continuem a vender para a gigante chinesa de tecnologia Huawei, revertendo sanções aplicadas anteriormente, em uma medida vista como uma concessão significativa. 

O cessar-fogo ainda reflete na alta de commodities, com valorizações expressivas do minério de ferro e do petróleo. As ações da Petrobras sobem mais de 1%, enquanto as ações da Vale e de siderúrgicas, como da CSN avançam ainda mais e estão entre as maiores altas do Ibovespa. 

Os maiores ganhos, porém, são da JBS e da BRF. Além de se beneficiarem do humor positivo com a trégua entre China e Estados Unidos, o setor também pode ser ajudado pelo acordo comercial fechado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), na avaliação do economista da Órama. As ações também têm recebido recomendações positivas de corretoras e, no caso da BRF, uma reportagem do jornal “Valor Econômico” afirma que a empresa recebeu uma oferta de US$ 350 milhões por ativos no Oriente Médio.

Ainda na cena doméstica, investidores ficarão atentos aos próximos passos da reforma da Previdência, que pode ter seu parecer lido amanhã na comissão especial da Câmara dos Deputados.

O dólar acelera as perdas frente ao real e busca os R$ 3,80 influenciado pelo cenário otimista que prevalece no exterior após o cessar-fogo na guerra comercial entre Estados Unidos e China que, por enquanto, mantém suspensas as cobranças de novas tarifas entre os países.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava recuo de 0,39%, sendo negociado a R$ 3,8260 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em agosto de 2019 apresentava queda de 0,67% a R$ 3,835.

O gestor de investimentos, Paulo Petrassi, destaca que a moeda local reage ao otimismo exibido no exterior após o cessar-fogo entre Estados Unidos e China após os presidentes Donald Trump e Xi Jinping concordarem em não impor novas tarifas aos produtos dos países durante encontro no G20, no Japão.  

“G20 foi positivo tanto para a guerra comercial quanto para o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o que significa maior negociação, mais exportação dos nossos produtos e dólar para baixo”, diz.

Na sexta-feira, o bloco europeu e o bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, concluíram as negociações sobre um acordo de livre-comércio que estava em negociação há 20 anos. O texto do acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de produtos como suco de laranja, frutas e café solúvel, como também a garantia de acesso, por meio de cotas, ao mercado europeu de carnes, açúcar, etanol e outros produtos. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul e o maior em termos de investimentos.

Quanto ao cessar-fogo, o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, reforça que não há acordo sobre questões como as dificuldades para as empresas norte-americanas de entrarem no mercado chinês ou que, uma vez lá, começam em desvantagem em relação às estatais chinesas.

“Também não há uma posição sobre propriedade intelectual, transferência forçada de tecnologia ou segurança cibernética, questões que os dois lados devem discutir nos próximos meses”, acrescenta.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem o movimento de queda do dólar hoje e também recuam, de olho no bom humor externo com o acordo firmado entre os Estados Unidos e a China colocando um momento de paz na guerra comercial entre os países.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,98%, de 6,08% no fechamento do pregão anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,82%, de 5,88%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,59%, de 6,66% em fechamento anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,06%, de 7,15%, na mesma comparação.