MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas e passou a cair mais de 1% após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, confirmar que a leitura do parecer da reforma da Previdência só ocorrerá na terça-feira que vem (2) na comissão especial da Câmara. Inicialmente, a previsão era que a leitura ocorresse até hoje. As ações da Petrobras e de bancos são as que mais pesam para a queda do índice.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,97% aos 99.705,03 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,89% aos 100.455 pontos.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o atraso no andamento da reforma da Previdência sempre pode “gerar movimentos de realizações de lucro” depois que o Ibovespa renovou recordes no início da semana.

Segundo Maia, o atraso pode trazer mais tempo para que se negocie com governadores para incluir Estados e municípios no texto da reforma, além disso, a leitura na terça-feira que vem ainda permitiria que a votação ocorresse no plenário da Câmara antes do recesso do Congresso, que começa no dia 18 de julho. No entanto, há alguma preocupação com a articulação de parlamentares do chamado “centrão”, que se organizaram para cancelar a sessão de hoje, na qual o parecer do relator seria lido, se mostrando descontes com as alterações no texto e promessas não cumpridas pelo governo.

“O cancelamento da reunião que deveria ocorrer hoje, às 9h, demonstra que ainda existe resistência dentro do Centrão… A questão dos estados e municípios, pode ser culpada, mas não é a preocupação central dos parlamentares que buscam atrasar o trâmite da reforma”, destacou o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, em relatório. Segundo o economista, a oposição desse grupo gira em torno de alguns pontos como esclarecimentos sobre aposentadorias de parlamentares antigos, regras para aposentadorias dos professores e possíveis alterações ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Já no cenário externo, as bolsas norte-americanas operam mistas ainda no aguardo da reunião do G-20, que começa amanhã e quando os presidentes da China e dos Estados Unidos se encontrarão, podendo selar um acordo comercial.

O dólar comercial acelera os ganhos frente ao real, renovando máximas a R$ 3,87, em meio ao atraso da votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados colocando dúvidas entre os investidores se a matéria será votada em plenário antes do recesso parlamentar, programado para começar em 18 de julho. Entre as principais moedas de países emergentes, o real tem o pior desempenho.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,46%, sendo negociado a R$ 3,8660 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava avanço de 0,58%, sendo cotado a R$ 3,865.

“O desempenho ruim do real é local. O mercado já vê que fica difícil votar a reforma da Previdência antes do recesso parlamentar, em julho, mesmo que o Maia [Rodrigo, presidente da Câmara] mantenha o call de que o assunto será resolvido na semana que vem”, diz a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Há pouco, Maia afirmou em entrevista à GloboNews que o parecer final da Previdência será lido na comissão especial na terça-feira e reiterou que segue tentando um acordo para que governadores apoiem a inclusão de estados e municípios na reforma.

A economista reforça também um viés de correção na moeda estrangeira após o dólar abrir a semana oscilando entre R$ 3,80 e R$ 3,83. “A taxa ao redor de R$ 3,82 era o preço de um mercado à espera de um avanço na Previdência até a primeira quinzena de julho”, diz. Enquanto no exterior, os mercados operam aguardando o encontro entre os presidentes do Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, durante o G-20, no sábado, na expectativa de esboçarem um acordo comercial entre os países.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta firme, com os investidores recompondo prêmios na curva a termo, após o adiamento da leitura do novo parecer da reforma da Previdência na comissão especial colocar em xeque a aprovação da matéria na Câmara antes do recesso.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,07%, de 6,025% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,03%, de 5,97% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,80%, de 6,75%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,30%, de 7,24%, na mesma comparação.

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