MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em queda desde a abertura com investidores aproveitando para embolsar lucros diante de um cenário de maior cautela no exterior, com o mercado monitorando a tensão entre os Estados Unidos e Irã e aguardando o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell. No Brasil, por sua vez, é acompanhado de perto do andamento da reforma da Previdência.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,08% aos 100.9580,57 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 1,27% aos 101,640 pontos.

“Foram quatro dias consecutivos de alta e dois de recordes históricos, então é natural uma realização, em um dia em que bolsas mundiais não abriram com bom humor”, disse o sócio-presidente da DNAInvest, Alfredo Sequeira.

Os principais mercados acionários no exterior operam em queda depois que o Irã respondeu negativamente às sanções anunciadas ontem pelo presidente Donald Trump. “Durante a madrugada o Irã disse que o caminho para uma solução diplomática com os Estados Unidos foi fechado depois que o governo Trump impôs sanções contra seu líder supremo”, destacou o sócio da Criteria Investimentos, Vitor Miziara, em relatório.

Também segue grande a expectativa pela reunião do G-20 que acontece no fim de semana e que deve ser o palco para o encontro entre os presidentes da China e dos Estados Unidos. Ainda no exterior, o presidente do Fed fará discurso sobre perspectivas econômicas e política monetária às 14h em Nova York. Na semana passada, investidores ficaram animados com sinalizações mais suaves (“dovish”) do Fed.        

Já na cena doméstica, o foco segue na reforma da Previdência, que deve voltar a ser discutida na comissão especial da Câmara dos Deputados. A expectativa era de que o parecer da reforma pudesse ser votado até quinta-feira, conforme disse ontem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Porém, ontem à noite Maia voltou a falar sobre a questão e afirmou que a votação pode ocorrer até segunda-feira, prazo ligeiramente maior, o que será monitorado pelos investidores.

O dólar comercial opera em alta frente ao real depois de oscilar operando em campos positivo e negativo reagindo à indicadores abaixo do esperado nos Estados Unidos e ao leilão de linha – venda de dólar com compromisso de recompra – do Banco Central, que surpreendeu o mercado no fim da manhã.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava avanço de 0,44%, sendo negociado a R$ 3,8450 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava alta de 0,60%, cotado a R$ 3,848.

“Esse leilão foi uma surpresa. O BC pode ter feito um levantamento e visto que havia demanda pela moeda e por isso ofertou”, diz o diretor de uma corretora nacional. Segundo operadores das mesas de câmbio, algumas instituições entraram no mercado ontem cotando compra de lotes expressivos de dólares. Eles afirmam que o leilão realizado hoje foi “para atender uma disfuncionalidade do mercado, com pouca liquidez e sazonalidade de fim de trimestre”.

No leilão, foram aceitas quatro propostas no valor total de US$ 1,0 bilhão para recompra de dólar em 2 de agosto. A taxa de venda foi de R$ 3,8240 – média das cotações do dólar apuradas pelo BC (Ptax) às 11 horas.

Nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor norte-americano – medido pelo Conference Board – caiu para 121,5 pontos em junho, abaixo da previsão de 131,8 pontos em junho. depois de ter registrado 131,3 pontos em maio, em dado revisado.

Apesar das oscilações, investidores mantêm “compasso de espera” para a reforma da Previdência, reforça o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Cavalcante. Ele acrescenta que lá fora, que o mercado segue na expectativa pelo encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na tentativa de um acordo comercial entre Estados Unidos e China. Além de estar de olho no discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, hoje às 14 horas (de Brasília).

“Investidores buscam mais pistas de que o Fed tende a afrouxar sua política monetária a partir de julho, como a ampla maioria das apostas mostram. Porém, não se espera que Powell faça considerações a respeito, visto que a última decisão da instituição ainda é recente”, comenta o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves altas, monitorando o vaivém do dólar e reagindo à ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento não trouxe a indicação suave (“dovish”) esperada pelos investidores e esse tom mais conservador foi replicado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o que abre espaço para uma recomposição de prêmios. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,03%, de 5,955% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,99%, de 5,86% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,78%, de 6,69%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,29%, de 7,23%, na mesma comparação.

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