MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca e Olívia Bulla

São Paulo – Após já bater seu recorde histórico na abertura do pregão, o Ibovespa acelerou ganhos puxado pelas ações da Petrobras, que sobem mais de 3%, em um dia de ajuste ao otimismo visto no cenário externo ontem, quando a B3 esteve fechada em função de feriado.

Por volta das 13h20 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,38% aos 101.695,92 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava avanço de 1,21% aos 102.630 pontos.

“O contexto de uma política monetária mais expansionista está ajudando o Ibovespa a atingir esse nível. Depois do Fed [Federal Reserve, banco central norte-americano] na quarta-feira, o banco central japonês e o inglês também tiveram sinalizações mais dovish, sendo que quedas nos juros trazem um movimento positivo para ações”, disse o analista da Necton Corretora, Glauco Legat, que lembra ainda que o Comitê de Política Monetária (Copom) também abriu a porta para cortes de juros condicionados à aprovação da reforma da Previdência.

Além do movimento expansionista dos bancos centrais, o analista destaca que os preços do petróleo tiveram fortes altas ontem com o aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã, o que provoca a subida de hoje das ações da Petrobras, que têm grande peso no Ibovespa e estão entre as maiores valorizações do índice. A Petrobras ainda anunciou hoje que iniciou a fase vinculante para a venda da Liquigás, além disso, irá receber R$ 2,16 bilhões em crédito suplementar do governo para desenvolver produção, conforme publicado no Diário Oficial da União (DOU).

Também entre as maiores altas do índice no momento estão as ações da Ultrapar, da CCR e da JBS. A JBS anunciou na última quarta-feira a noite que fez o pré-pagamento de R$ 2,7 bilhões em dívidas. Na contramão, as maiores quedas são das ações da Smiles, da Gol e da Qualicorp. As ações da Smiles e da Gol ainda refletem ao anúncio de que as companhias não chegaram a um acordo sobre reestruturação societária.

O dólar segue em queda acelerada desde a abertura do pregão, mas ainda não conseguiu furar a marca de R$ 3,80. Os investidores estão divididos entre as perdas da moeda norte-americana no exterior, após o viés suave do Federal Reserve, e a possibilidade de novos cortes na taxa básica brasileira (Selic), o que reduz a atratividade do diferencial de juros (“carrego”) pagos no Brasil.

Por volta das 13h20, o dólar comercial registrava queda de 0,64%, sendo negociado a R$ 3,8260 para venda. No mercado futuro, o contato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava recuo de 0,41%, cotado a R$ 3,825.

O diretor de tesouraria de um banco estrangeiro afirma que a porta aberta pelo Fed para cortes nos juros dos Estados Unidos remove um dos fatores para os investidores manterem uma posição comprada (aposta na alta) em dólar. “Mas eles ainda têm outro [fator], que é o Copom”, ressalta.

Segundo ele, os ajustes na comunicação do Comitê de Política Monetária deixaram dúvidas sobre o momento exato em que pode ter início o ciclo de cortes na Selic. “Então os ‘comprados’ ainda tentam usar o Copom como uma ‘desculpa’ para manter essas posições mais defensivas”, explica.

Na mesma linha, o estrategista de multimercados da TAG Investimentos, Dan Kawa, avalia que o cenário para o dólar é “menos óbvio”. “A taxa de câmbio doméstica terá de enfrentar um ‘carrego’ mais desafiador, após as indicações dadas pelo Fed do aumento da probabilidade de queda na taxa de juro norte-americana”, explica. Para ele, com o diferencial de juros internos mais baixos, o dólar dependerá, cada vez mais, do cenário externo. 

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em forte queda, com os investidores retirando prêmios, em meio ao viés suave (“dovish”) sincronizado entre os principais bancos centrais do mundo, o que leva a um achatamento (“flatenning”) das curvas de juros pelo mundo e provoca um efeito dominó na curva local. Às 13h20, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 5,985%, de 6,075% após o fechamento da última quarta-feira; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 5,87%, de 5,99% ao final da sessão anterior; o DI para janeiro de 2023 estava em 6,67%, de 6,87%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,23%, de 7,38%, na mesma comparação.

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