MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Eduardo Puccioni

São Paulo – O Ibovespa segue em leve queda nesta manhã mostrando algum ajuste após a apresentação do parecer da reforma da Previdência na comissão especial ontem e refletindo o cenário externo de maior cautela, com tensão entre Estados Unidos e Irã. Dados mais fracos da China também colaboram para o dia mais negativo lá fora.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,42% aos 98.358,00 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em agosto de 2019 apresentava recuo de 0,86% aos 99.230 pontos.

“Temos algum ajuste depois que o relatório da reforma foi apresentado, estaríamos subindo se não fossem as ações de bancos, mas de qualquer maneira a Bolsa está em um bom patamar, está em um nível mais elevado”, avalia o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

A parecer da reforma trouxe uma economia de cerca de R$ 915 bilhões, próximos dos R$ 1 trilhão prometido pelo governo em 10 anos, o que animou o mercado, porém, há alguns pontos negativos, como a retirada do sistema de capitalização do texto e o aumento da alíquota da CSLL para bancos, o que afeta os papéis. Para Costa, os bancos também podem sentir algum reflexo da possibilidade de recuperação judicial da Odebrecht. Entre as maiores quedas do setor hoje estão as ações do Bradesco (BBDC3 -1,47%; BBDC4 -0,66%) e do Banco do Brasil (BBAS3 -1,16%).

Já as maiores quedas do Ibovespa no momento são das ações de siderúrgicas, entre elas CSN (CSNA3 -2,39%) e Usiminas (USIM5 – 1,79%). Os papéis mostram realização de lucros depois de altas recentes na esteira da alta do minério de ferro e em dia de dados abaixo do esperado da produção industrial da China.

No cenário externo, as bolsas norte-americanas e europeias também operam com leve baixas mostrando maior cautela depois que o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irã de atacar navios petroleiros no golfo de Omã ontem, como uma forma de escapar das sanções dos Estados Unidos sobre o setor.

Na cena política doméstica, o economista acredita que a demissão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo não trouxe muitos temores, embora o ambiente seja monitorado pelo mercado.

O dólar comercial acelerou os ganhos frente ao real e opera acima de R$ 3,88 acompanhando o mercado externo onde as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã ganham força e preocupa investidores, em meio a indicadores chineses abaixo do esperado pelo mercado que corroboram com o desempenho negativo das moedas de países emergentes. Após sucessivas quedas da moeda local, prevalece também o viés de correção.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,34%, sendo negociado a R$ 3,9070 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava avanço de 1,45% negociado a R$ 3,909.

O mercado reage negativamente às acusações do presidente norte-americano, Donald Trump, de que o Irã está por trás dos ataques realizados ontem a dois petroleiros do Golfo do Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. “O exterior está ditando os rumos do mercado hoje. Além de acompanhar os desdobramentos da guerra comercial com a China, agora, monitora essa tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã”, comenta o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes.

Segundo Trump, os Estados Unidos “não vão levar isso de forma leve”, mas sem dar detalhes sobre os próximos passos em relação ao país asiático. Ontem à noite, dados da economia da China, abaixo do esperado pelo mercado, refletiram na abertura dos negócios com as principais moedas emergentes se desvalorizando frente ao dólar. “A economia da China emitiu mais sinais de alerta conforme os Estados Unidos intensificam a pressão comercial”, diz o operador da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

A produção industrial da China subiu 5,0% em maio, ante expectativa de alta de 5,5%. O dado desacelerou-se em relação a abril, quando cresceu 5,4% na comparação com o mesmo período de 2018. Foi o menor resultado desde 2002.  

Quanto ao mercado doméstico, o analista da Toro reforça o viés de correção após a intensa queda da moeda local nas últimas semanas, com o dólar próximo de fechar em queda pela quarta semana seguida. No cenário político, ele observa que a reforma da Previdência fez “bastante” preço ontem. Agora, é observar o cumprimento dos prazos dos próximos passos.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) passaram a cair com mais força após uma abertura de lado. O corte nas taxas está acentuado, com o mercado pressionando o Banco Central (BC) para um corte da Selic (taxa básica de juros) já na reunião da semana que vem, porém, o efeito dessa pressão deve ficar para a reunião de 30 e 31 de julho.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,015%, de 6,09% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 5,99%, de 6,07%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,96%, de 7,01% após o ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,52%, de 7,54%, na mesma base de operação.