MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em alta nesta manhã puxado principalmente pelas ações da Vale e de siderúrgicas, depois que os preços do minério de ferro tiveram fortes ganhos refletindo medidas de estímulo adotadas pela China. O bom humor externo e a confiança na aprovação da reforma da Previdência também dão sustentação à alta do índice, apesar de ruídos políticos relacionados à divulgação de conversas entre procuradores da Lava Jato e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ainda poderem trazer alguma cautela.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,74% aos 98.189,83 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,98% aos 98.210 pontos.

“A notícia de que o governo chinês irá promover incentivos ligados à infraestrutura para se contrapor à desaceleração provocadas pelas tarifas dos Estados Unidos faz com que as commodities, principalmente, as metálicas ganhem fôlego hoje”, disse o sócio e analista da Eleven Financial Research, Raphael Figueredo. O governo chinês anunciou hoje a emissão de títulos locais especiais para financiar projetos, como os de infraestrutura, em mais uma tentativa de apoia a expansão econômica da China.

Com isso, os preços dos contratos futuros de minério na bolsa chinesa de Dalian subiram, com o contrato mais negociado avançando 3,8%. A alta é sentida diretamente pelos papéis da Vale, CSN e Usiminas, entre as maiores valorizações do Ibovespa no momento. Também têm fortes altas os papéis da B2W. Na contramão, as maiores baixas do índice são da Sabesp, da Taesa e IRB Brasil.

Além da alta dos preços de commodities, os principais mercados acionários também operam no azul com alívio na guerra comercial, após adiamento de tarifas a produtos importados do México, e com expectativas de que bancos centrais mundiais comecem a cortar juros.

Já na cena doméstica, analistas ainda não veem grandes impactos de ruídos políticos na reforma da Previdência, o principal foco do mercado. No entanto, possíveis desdobramentos das conversas envolvendo Moro publicadas ontem pelo site “The Intercept”, que mostraram o juiz dando orientações a procuradores, devem continuar sendo monitorados. Também está no radar a votação do crédito suplementar para o governo pagar despesas correntes, que será analisado por comissão mista, e repercussões do Fórum de Governadores que ocorre em Brasília. Governadores devem pedir novamente para estados serem incluídos na reforma da Previdência.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real, renovando mínimas sucessivas, acompanhando o cenário externo onde as moedas de países emergentes têm desempenho positivo ante a moeda estrangeira. Aqui, investidores seguem atentos à pauta política, que parece focar na reforma da Previdência.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,74%, sendo negociado a R$ 3,8560 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana apresentava recuo de 0,80%, cotado a R$ 3,860.

“A China anunciou algumas medidas de estímulo para a economia e respinga nos mercados emergentes com a moedas tendo bom desempenho frente ao dólar”, comenta a economista-chefe do banco Ourinvest.

Ela acrescenta que a falta de novidades no mercado doméstico também favorece a moeda local. “Não há novidade que inverta a tendência do dólar. A impressão que passa é que o Congresso está mais interessado em dar andamento à reforma da Previdência e não se apegar aos ruídos envolvendo Sergio Moro [ministro da Justiça]”, diz.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) exibem baixas moderadas, principalmente no trecho longo da curva, acompanhando o comportamento do dólar, que volta a se aproximar da faixa de R$ 3,85. O movimento local é apoiado nos mercados internacionais, em meio à cautela com o cenário político local.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,180%, de 6,185% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,19%, de 6,22%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,06%, de 7,14%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,61%, de 7,74%, na mesma comparação. 

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