MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em queda nesta manhã e já mostrou uma aceleração das perdas em relação à abertura refletindo maior cautela frente a possíveis desdobramentos de conversas envolvendo procuradores da Lava Jato e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. As ações de bancos são as que mais pesam para a queda, o que faz o índice operar descolado do cenário externo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovesoa registrava queda de 0,65% aos 97.182,93 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 5,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,79% aos 97.225 pontos.

“O principal fator que vem influenciado o dia de hoje é a questão das mensagens envolvendo Moro, que podem acabar prejudicando decisões tomadas pela Lava Jato e acabam gerando desconfiança por parte dos investidores, cria um cenário incerto”, disse o analista da Toro Investimentos, Felipe Fernandes.

Embora não veja por enquanto reflexos no andamento da reforma da Previdência em função das conversas reveladas pelo site “The Intercept”, o analista lembra que novas informações ainda podem ser divulgadas e acredita que o relator da reforma na comissão especial parece ter adiado seu relatório para quinta-feira já com a intenção de “esperar a poeira baixar”.

O relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB-SP), pretende apresentar na quinta-feira (13) o relatório sobre a medida. A expectativa anterior era de que ele apresentasse o documento no início desta semana. O presidente da comissão, Marcelo Ramos (PR-AM), também disse nesta manhã que pretende trabalhar para evitar que as notícias contra Moro contaminem a tramitação da reforma. Segundo o site “The Intercept”, o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça interferiu no andamento das investigações da operação Lava Jato opinando sobre as denúncias dos procuradores.

Após passar a manhã toda em alta, o dólar comercial virou no início da tarde e passou a cair com investidores acompanhando o exterior. Porém, atentos aos ruídos políticos envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, durante as investigações da operação Lava Jato. O que pode respingar na tramitação reforma da Previdência.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,15%, sendo negociado a R$ 3,8720 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava recuo de 0,16% aos 3,877.

Segundo o diretor de câmbio do grupo Ourominas, Mauriciano Carvalho, o “vazamento” das conversas de Moro – quando juiz da Lava Jato – e o atraso na entrega do relatório da reforma da Previdência ajudam o viés de alta do dólar. “Por causa do acúmulo de fatos importantes, a semana começa muito tensa para o dólar, prometendo ser assim até o fim [da semana]”, comenta Carvalho.

Sobre a reforma da Previdência, ele chama a atenção para a entrega do relatório que, “poderia ser apresentado hoje”, parece ter sido adiado para a quinta-feira, “sendo que vários pontos ainda estão indefinidos, como é o caso da entrada ou não de estados e municípios no texto”, destaca.

Já a repercussão da reportagem do site The Intercept Brasil sobre a interferência de Moro nas investigações da Lava Jato enquanto era juiz da operação pode respingar no andamento da reforma.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, o cancelamento das agendas dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, em São Paulo para irem à uma reunião de emergência em Brasília sugere que talvez haja mais a ser divulgado e assim, “o estrago potencial deste vazamento de informações é relevante. Sugerimos atenção redobrada neste início de semana”, reforça o economista.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) passaram a oscilar entre margens estreitas, sem uma direção definida, diante do comportamento lateral do dólar, que segue abaixo de R$ 3,90. Os investidores estão divididos entre os ruídos políticos envolvendo os protagonistas da Operação Lava Jato e o ambiente externo mais favorável aos ativos de risco.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,19%, de 6,214% no ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,20%, de 6,27%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,12%, de 7,18%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,71%, repetindo o ajuste ao final da semana passada.

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