MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa segue mais uma sessão pressionado pelo cenário externo. Sem novidades sobre a reforma da Previdência, o principal índice da Bolsa brasileira segue acompanhando os mercados norte-americanos, que recuam mais de 1% nesta manhã, ainda refletindo as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a taxação aos produtos chineses.

“Além de todo esse cenário externo que é bem negativo e afasta o investidor, tivemos a justiça bloqueando uma mina da Vale, temos o balanço da Ambev que veio abaixo do esperado pelo mercado e, por fim, tem a expectativa com o balanço da Petrobras, que estão achando que não vem tão bom”, explicou José Costa, economista-chefe da Codepe Corretora.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,19% aos 93.869,71 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,4 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,95% aos 94.400 pontos. “Acho que o Ibovespa deve permanecer nesse patamar de 93 mil pontos por um tempo, oscilando para cima ou para baixo, mas mantendo o patamar”, disse Costa.

“O volume do Ibovespa mostra que o mercado está fraco, com investidores preferindo aguardar até semana que vem, quando devemos voltar a ter algum sinal ou retomada da reforma da Previdência. Até lá, o investidor prefere ficar apenas olhando de fora. Vale lembrar que essa queda abre uma boa oportunidade de compra, então é natural o que vem acontecendo no mercado”, disse Costa.

O lucro líquido da Ambev aumentou 6,2% no primeiro trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018, e somou R$ 2,749 bilhões. O lucro por ação (LPA) foi de R$ 0,17 no trimestre, contra R$ 0,16 no mesmo período do ano passado. Por volta das 11h15, a ação ordinária da companhia (ABEV3) tinha a terceira maior queda do índice, recuando 3,26%.

No mesmo horário, as ações ordinárias da Vale (VALE3) desvalorizavam 0,70%, enquanto a ação ordinária da Petrobras (PETR3) recuava 1,86% e o papel preferencial (PETR4) tinha queda de 1,53%.

Sobre a Vale, ontem o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu a decisão de primeira instância que permitia a retomada das atividades na mina de Brucutu. A decisão do TJMG invalida a autorização emitida pela 1 vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte para que a empresa volte a operar sua principal mina no Estado de Minas Gerais.

O dólar comercial acelera os ganhos e chegou a romper o patamar de R$ 4,00 com o cenário mais negativo para as moedas de países emergentes somado a notícias da política interna em que investidores temem respingar na reforma da Previdência.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,78%, sendo negociado a R$ 3,9900 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,57%, cotado a R$ 3,998.

Para o diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, esse patamar do dólar é “mais especulativo, e o mercado pode estar chamando o BC [Banco Central] para uma intervenção”, diz.

Ele acrescenta que a retomada da tensão comercial entre Estados Unidos e China foi “assunto ontem” e fica em segundo plano hoje, data em que volta a discussão da reforma da Previdência na comissão especial e com as notícias envolvendo militares do governo de Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho.

“O grande temor do mercado é que essas discussões, brigas de pessoas do governo, possam respingar na reforma da Previdência, promover atrasos. Além de ficar de olho nos partidos do Centrão que ficam impondo condições para aprovar o projeto”, reforça.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, mesmo que a reforma da Previdência avance, isso não deve aliviar a pressão do dólar. “O real não está fraco, o dólar que está forte. Isso é importante uma vez que mesmo que a discussão da Previdência ande bem, isso, não necessariamente, irá se traduzir em queda da moeda. Devemos rever nossa projeção de R$ 4,00 para R$ 4,10 para o fim do ano”, comenta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves oscilações, mas são pressionadas pela valorização do dólar, que tocou a faixa de R$ 4,00 durante a sessão. Os movimentos, porém, são limitados pelas expectativas em torno da reforma da Previdência e antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,445%, de 6,44% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 7,05%, de 7,04%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,19%, de 8,15%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,70%, de 8,67%, na mesma comparação.

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