MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa acelerou perdas e passou a cair mais de 1% com uma aceleração da queda de ações de peso para o índice, com destaques para os papéis da Petrobras, que refletem uma desvalorização de mais de 3% dos preços do petróleo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,13% aos 96.278,80 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 5,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 1,32% aos 96.420 pontos.

As ações da Petrobras aprofundaram a queda após a divulgação das reservas de petróleo dos Estados Unidos, que mostraram aumento do estoque da commodity, sendo que o mercado esperava queda. Com isso, os preços dos contratos futuros do petróleo recuam mais de 3%.

Mais cedo, as ações operavam em torno da estabilidade à espera de votação do Supremo Tribunal Federal (STF), que avaliará a possibilidade de estatais serem vendidas sem autorização legislativa. “As ações da Petrobras estão travadas em função disso, os desinvestimentos da companhia ficam parados”, disse o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos.

Outras ações de peso para o índice também passaram a cair com mais força, caso dos bancos, como Itaú Unibanco e Banco do Brasil, e dos papéis da Vale. Já as maiores quedas do Ibovespa são da Tim e da Via Varejo.

Na contramão, os papéis da Braskem estão entre as maiores altas devolvendo parte da queda de quase 17% dos papéis no pregão anterior, depois que a LyondellBasell teria desistido de comprar a companhia. As ações da Azul e da Gol também têm fortes altas. A Gol divulgou que a sua demanda por passagem cresceu 12,5% em maio frente ao mesmo mês do ano passado.

Além da votação no STF, investidores ainda seguem esperando votações no Congresso, sendo que a sessão da Comissão Mista de Orçamento, que avaliaria um projeto que dá aval para o Tesouro Nacional emitir títulos para pagar despesas como o Bolsa Família, foi adiada. Com a aprovação, o governo ficaria autorizado a descumprir a regra de ouro, que diz que o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes.

A queda dos preços do petróleo e o adiamento da votação colaboram para que o Ibovespa opere descolado do cenário externo, onde o dia é de alta da maioria dos principais mercados acionários, que ainda refletem o otimismo com declarações de ontem do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell. Os dados da ADP, de criação de vagas no setor privado norte-americano, vieram abaixo do esperado hoje e, também colaboraram para uma visão de que os juros podem ser reduzidos.

Depois de cair a R$ 3,83, no menor nível intraday em quase dois meses, o dólar comercial passou a subir frente ao real reagindo ao aumento da demanda pela moeda estrangeira no mercado local, e após a abertura dos negócios nos Estados Unidos.

Por volta das 13h30, o dólar omercial registrava alta de 0,07%, sendo negociado a R$ 3,8610 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava avanço de 0,12%, cotado a R$ 3,867.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, comenta que as mínimas registradas nas primeiras horas de negócios – R$ 3,8390 (-0,49%) – mais uma vez, atraíram importadores aumentando a demanda pela moeda. “É normal que se recupere um pouco após a forte demanda por dólar, movimento observado desde ontem, quando a cotação caiu a R$ 3,85. Mas o viés de valorização do real continua”, diz.

Para Gomes, após dados de trabalho “frustrantes” no setor privado dos Estados Unidos (ADP), criação de 27 mil vagas ante projeção de 137 mil vagas – números que antecedem o relatório de emprego do país, o payroll, na sexta-feira – somado ao discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizando um possível “relaxamento” na política monetária, mesmo com discurso “extremamente” conservador.

“O ADP muito abaixo da estimativa projeta um payroll também ruim na sexta, o que corrobora para um movimento que busca que conter o avanço do dólar”, acrescenta o diretor.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) não conseguiram sustentar um novo recuo e passaram a subir, recompondo uma pequena parte dos prêmios retirados recentemente. O movimento acompanhou a mudança de sinal, para o positivo, do dólar. Os investidores aguardam, agora, novidades para sustentar o cenário de cortes na Selic.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,24%, de 6,23% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,39%, de 6,38% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,29%, de 7,30%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,86%, de 7,84%, na mesma comparação.

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