MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após operar em leve alta na maior parte da manhã, o Ibovespa passou a operar no campo negativo refletindo as fortes quedas das ações da Braskem e a virada de algumas ações de bancos. Os papéis fazem com que o Ibovespa se descole da recuperação dos principais mercados no exterior, que ficaram mais otimistas após fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, que teria deixado a porta aberta para corte de juros se necessário.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovesap registrava queda de 0,08% aos 96.939,70 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 8,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,20% aos 97.055 pontos.

Apesar do otimismo externo, as ações da Braskem fazem peso hoje já que estão sendo as mais negociadas e recuam quase 17% após a holandesa LyondellBasell não entrar em acordo com a Odebrecht para comprar a sua fatia na Braskem. A compra não teria sido acertada devido aos maiores riscos de a Odebrecht entrar em recuperação judicial, que poderia ser a maior do Brasil, já a companhia possui dívidas no valor de cerca de R$ 80 bilhões com seis bancos.

A possível recuperação judicial pode ter reflexos no setor bancário, com as ações do segmento mostrando volatilidade hoje. Há pouco, papéis como do Bradesco passaram a cair, sendo que as ações do Itaú Unibanco ampliaram perdas. As ações da Vale também operam em baixa hoje.

Na contramão, as maiores altas do Ibovespa são das ações da Energias do Brasil, que sobem em meio a rumores de que a China Three Gorges (CTG) avalia acordo para controlar a empresa. Também têm fortes altas as ações da Sabesp, da JBS e da Marfrig, que se recuperam das fortes perdas de ontem depois de que exportações de carne bovina para a China foram suspensas em função da confirmação de um caso de vaca louca no Mato Grosso.

Já no exterior, as bolsas norte-americanas sobem mais de 1% após comentários de Powell. Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, o presidente da autoridade monetária “sinalizou que está aberto para corte de juros se necessário” diante das tensões comerciais.

Renovando mínimas sucessivas, o dólar comercial acelerou as perdas frente ao real reagindo às declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de que há espaço para cortes da taxa básica de juros nos Estados Unidos.

“Nós não sabemos como ou quando essas questões comerciais vão ser resolvidas. Estamos monitorando de perto as implicações desses acontecimentos para as perspectivas econômicas dos Estados Unidos e, como sempre, vamos agir de forma apropriada para sustentar a expansão”, disse Powell em evento em Chicago.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,71%, sendo negociado a R$ 3,8620 para venda. No mercado futuro, o contrato de dólar com vencimento em julho de 2019 apresentava recuo de 0,60%, cotado a R$ 3,870.

Para o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, a fala do presidente do Fed sustenta a declaração de um dirigente do banco ontem em que a autoridade monetária “em breve” poderia cortar juros. “Powell mostrou abertura para potenciais cortes de juros, se necessário. Além de reiterar que é preciso estar muito atento ao aprofundamento das disputas comerciais entre Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais. O que não é possível saber quando essas tensões vão acabar”, avalia.

Aqui, o bom humor entre investidores permanece após a votação de mais uma medida provisória (MP). Ontem, foi aprovada pelo Senado a MP 871 por 55 votos a 12 em que texto contém medidas de combate à fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“O andamento dessas medidas traz o sentimento de que o mercado está melhorando o ‘timing’ de votação da reforça. No primeiro momento, segue a aposta de ser aprovada em agosto. Mas as condições parecem andar para uma possível votação ainda neste mês”, diz o estrategista-chefe da BCG Corretora, Juliano Ferreira.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) passaram a cair, principalmente nos vértices mais longos, com os investidores vendo uma porta aberta para cortes nos juros norte-americanos, após a fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Os vencimentos mais curtos, porém, têm leves oscilações, calibrando as apostas em relação à queda da Selic para novos pisos históricos.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,230%, de 6,265% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,40%, de 6,44% do dia anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,35%, de 7,41%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,90%, de 7,99%, na mesma comparação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com