MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – A aposta de que a reforma da Previdência entrará nas etapas finais de tramitação na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar mantém o clima positivo no mercado brasileiro, com valorização do real, queda nas taxas de juros e um Ibovespa estável mesmo diante do declínio das bolsas no exterior.

No início da tarde, o Ibovespa subia 0,10%, para 97.135 pontos, e o contrato futuro do índice com vencimento em junho avançava 0,21%, aos 97.315 pontos. No mercado de câmbio, o dólar caía 0,66%, aos R$ 3,8990 para a venda no pregão à vista, enquanto o contrato futuro da moeda com vencimento em julho recuava 0,64%, aos R$ 3.909,50.

Segundo o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, o foco do mercado continua na Previdência, com expectativa de que o relator da reforma na comissão especial, Samuel Moreira (PSDB-SP), possa apresentar seu texto essa semana.

Apesar de incertezas, investidores têm esperança de que o texto ainda possa conter uma economia robusta, não tão distante do cerca de R$ 1 trilhão defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Os investidores estão usando como termômetro a respeito do grau de compromisso dos congressistas com as medidas do governo o número de senadores que comparecerão hoje, dia em que geralmente não há sessão deliberativa no Senado, para votar a medida provisória 871, de combate às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela expira hoje.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse no Twitter que haverá quórum para a votação.

“Continuamos conseguindo nos descolar do exterior em função da reforma, também tem MP para ser votada, parece que as coisas estão andando”, disse o analista.

O cenário atual difere do observado em meados de maio, quando o mercado “entrou um pouco em pânico” por causa da tensão nas relações políticas em Brasília, disse o analista da Toro Investimentos, Daniel Herrera. “Isso levou uma corrida por proteção e que agora resulta em desmonte de posições”, acrescentou.

Entre os juros, as taxas operam em queda pressionadas por um fator adicional: a perspectiva de que o enfraquecimento na economia abrirá espaço para que o Banco Central (BC) reduza a Selic, a taxa básica de juros.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,250%, de 6,279% no ajuste anterior, na sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,43%, de 6,49% no último ajuste.

“A cada rodada de queda na Focus das previsões para inflação e PIB, as apostas de quem acha que a Selic deve cair ganham força”, diz um operador sênior de derivativos de uma corretora estrangeira. Para ele, o recuo do petróleo e do dólar podem fortalecer essa expectativa. “Mas hoje é segunda-feira, dia de baixos volumes”, pondera.

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