MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em alta nesta manhã e acelera os ganhos mostrando uma recuperação depois de cair ao menor nível do ano ontem e ameaçar a perder os 90 mil pontos. Ajudam nessa recuperação as ações de siderúrgicas e da Vale, que refletem a forte alta dos preços do minério de ferro, enquanto investidores ainda acompanham a tensão comercial entre Estados Unidos e China e o cenário político conturbado, o que mantém certa cautela.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,89% aos 90.833,07 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,81% aos 91.125 pontos.

“O mercado precisa de um respiro, não vai cair direto. Um fator que aliviou um pouco foi a notícia de que os Estados Unidos adiaram por seis meses a decisão de aplicar tarifas sobre carros importados. As bolsas da Europa estavam com baixa forte e reagiram um pouco”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira. Embora as bolsas norte-americanas continuem em queda com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a notícia sobre o adiamento de tarifas sobre carros ajudou a reduzir as perdas, segundo Bandeira.

Ainda no exterior, os preços do minério de ferro subiram mais de 3% na bolsa chinesa de Dalian. O preço da commodity tem sido influenciado pela expectativa de menor produção da Vale, principalmente depois que a companhia informou ontem que há risco de rompimento de uma nova barragem em Minas Gerais. Com isso, as ações da Vale (VALE3 0,68%) e de siderúrgicas, como Usiminas (USIM5 2,59%) e CSN (CSNA3 3,46%) sobem.

O dia ainda é positivo para as ações da Suzano (SUZB3 3,66%) e de varejistas como a B2W (BTOW3 4,75%), que têm as maiores altas do Ibovespa no momento. As ações da Petrobras (PETR3 0,86%; PETR4 0,11%) e do Itaú Unibanco (ITUB4 1,08%) são outra que ajudam o índice a se recuperar hoje e podem estar sendo influenciadas pela proximidade do vencimento de opções. No caso da Petrobras ainda há influência da alta dos preços do petróleo.

A escalada do dólar não para e a moeda já busca o nível de R$ 4,10 com a percepção da piora no cenário político em meio à decepção do mercado com a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro, somado aos desdobramentos da disputa comercial entre Estados Unidos e China.

“A dificuldade de articulação do governo para qualquer assunto aumenta a desconfiança do mercado e está levando o dólar a esses patamares”, comenta a analista da Toro Investimentos, Stefany Oliveira. Ela acrescenta que o mercado pode estar se adiantando e precificando uma reforma da Previdência “mais desidratada” do que chances de a proposta não ser aprovada neste ano.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava acanço de 1,53%, sendo negociado a R$ 4,10 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 1,22% a R$ 4,104.

Para a analista, os fatores externos como a escalada da guerra comercial entre norte-americanos e chineses corroboram para o ambiente de aversão ao risco que prevalece no exterior. “Não há motivos para o dólar cair nos próximos dias, nem aqui e nem lá fora. Qualquer correção tende a ser técnica e não por notícias”, diz.

O operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, destaca que os assuntos políticos da semana, envolvendo a investigação contra o senador e filho do presidente, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) pelo Ministério Público do Rio sob suspeita de participar de esquema de lavagem dinheiro com a venda de imóveis e as manifestações país afora de estudantes e profissionais da educação contra o corte de recursos na pasta, deixaram a reforma da Previdência “de lado”, deixando o mercado doméstico mais azedo.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em alta, pressionadas pelo dólar, o que abre espaço para uma recomposição de prêmios, ajustando as apostas sobre o rumo da taxa básica de juros (Selic). Os investidores seguem assustados com a perda de capital político do governo Bolsonaro, que pode respingar na agenda de reformas, e com a escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China.  

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,455%, de 6,43% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,98%, de 6,92% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,22%, de 8,12%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,86%, de 8,72%, na mesma comparação.

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