MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento do mercado até o momento

São Paulo – Após cair 3,57% ontem com a continuidade de tensão entre o Planalto e o Congresso, o Ibovespa mostra uma correção hoje, com alguns investidores vendo oportunidades de compra, o que fez o índice passar a subir mais de 1%. O mercado também observa declarações do presidente Jair Bolsonaro, que adotou um tom mais moderado hoje.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 1,88% aos 93.635,90 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2019 apresentava avanço de 3,74% aos 93.885 pontos.

“Essa alta é mais uma correção depois do desespero de ontem, acho que não era para tudo aquilo. E parece que Bolsonaro acordou mais bem-humorado”, disse o analista-chefe da Geral Investimentos, Carlos Müller.

Ontem, em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro disse que Maia está com problemas pessoais. O presidente da Câmara é sogro do ex-ministro Moreira Franco, que foi preso na semana passada junto o ex-presidente Michel Temer, e tem criticado a falta de articulação do governo em torno da Previdência. Durante a entrevista de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, estava na Comissão Assuntos Econômicos (CAE), no Senado, e também não conseguiu acalmar ânimos.

Bolsonaro chegou a dizer que Maia estava abalado por questões pessoais, e Maia respondeu que “abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1 de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios e o presidente brincando de presidir o Brasil”, afirmou ontem o presidente da Câmara.

Porém, analistas acreditam que será preciso acompanhar os próximos passos para ver se a tensão recente realmente irá diminuir e não terá um grande impacto no andamento da reforma da Previdência. “A sinalização de moderação é positiva, mas não adianta a gente se iludir de que o Bolsonaro irá parar de falar bobagem.  Ótimo que ele adotou este tom, mas não podemos tirar da conta que daqui a pouco um filho dele não irá fazer um tuíte polêmico”, afirmou o analista-chefe.

O cenário político brasileiro segue incerto nesta quinta-feira após atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia na noite de ontem. Esse ambiente já fez o dólar saltar a R$ 4,01 na manhã de hoje, mas a divisa perdeu um pouco da força de alta e opera com ligeira alta.

“Nós estamos começando a ver que a mudança no Congresso não é aquela mudança que a população queria ver. Os políticos estão mais preocupados com o corporativismo do que com Brasil. Tudo isso tem gerado incertezas e os investidores estão revendo seus investimentos”, afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio.

O Banco Central (BC) realizou hoje, das 12h15 às 12h20, um leilão de linha onde colocou US$ 1,0 bilhão no mercado na intenção de fazer a cotação cair. “O BC manterá o dólar abaixo de R$ 4,00. Essa era uma dúvida que os investidores tinam do novo presidente do BC, se ele ia deixar o dólar subir ou não. Mas já percebemos que ele vai segurar a cotação”, disse Galhardo.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,65%, sendo negociado a R$ 3,9810 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana recuava 0,36% cotado a R$ 3,979. “Esse descolamento é um claro sinal de incerteza dos investidores. Estão buscando proteção em operações de hedge”, explicou Galhardo.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, intensificando a correção ensaiada logo na abertura da sessão, após os exageros ontem. Ainda assim, a falta de trégua no cenário político e a preocupação com o impacto da queda de braço entre Congresso e governo na reforma da Previdência inibe um ajuste mais firme.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,565%, de 6,565% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 7,25%, de 7,27%; o DI para janeiro de 2023 estava em 8,42%, de 8,47% após ajustes da véspera; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,96%, de 9,05%, na mesma comparação.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com