MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento do mercado até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em queda na sessão de hoje em dia de realização de lucro após a alta de 1,59% no pregão de ontem. Analistas atribuem essa queda ao “investidores cansado” com o longo processo para aprovação da reforma da Previdência.

“Quem tem comprado é investidor local. O estrangeiro só deve voltar ao Brasil com dinheiro novo em setembro ou outubro. Estão aguardando a aprovação da reforma da Previdência. Ainda estudam qual o valor e o tamanho da desidratação da reforma”, explicou Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,46% aos 96.101,58 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,33% aos 96.770 pontos.

O resultado melhor que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos colabora para a queda do índice, já que fomenta um rumor maior sobre elevação de taxa de juros no país, atraindo investidores para o mercado norte-americano, com saída de capital de economias emergentes.

O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,2% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao trimestre imediatamente anterior em termos anualizados, de acordo com a leitura preliminar divulgada pelo Departamento do Comércio do país. O dado veio acima das previsões dos analistas, que esperavam alta de 2,5%. O indicador mostra que o crescimento econômico acelerou em relação ao quarto trimestre do ano passado, quando o PIB norte-americano cresceu 2,2% em base anualizada. 

O dólar comercial mantém queda em relação ao real, renovando mínimas sucessivas, em movimento de realização no exterior e reagindo aos números do PIB dos Estados Unidos. Na primeira leitura do primeiro trimestre deste ano, o dado cresceu 3,2% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Enquanto os dados de consumo caíram.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,73%, sendo negociado a R$ 3,9270 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em maio de 2019 apresentava retração de 0,61% cotado a R$ 3,927.

“O PIB veio forte, pressionado pelo volume de estoques nos Estados Unidos, mas sem pressão inflacionária. O que tira também o peso de o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] de elevar a taxa de juros. Essa leitura de alívio nos juros e um pouco de realização depois das altas recentes reforçan a queda do dólar”, diz o analista da Toro Investimentos, Pedro Nieman.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves oscilações, mas com viés de alta, rondando os níveis dos ajustes de ontem. Os investidores monitoram o comportamento do dólar, que segue em queda, ao mesmo tempo em que digerem os dados sobre a economia dos Estados Unidos e as apostas em relação ao rumo da taxa Selic.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,49%, de 6,46% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 7,11%, de 7,08%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,25%, de 8,23% no ajuste anterior; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,78%, de 8,77%, na mesma comparação.