MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento do mercado até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa cai mais de 1% na sessão de hoje devolvendo parte dos ganhos observados ontem, dia que terminou com a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados e o encaminhamento do texto sobre a reforma da Previdência.

“Hoje o mercado está devolvendo a alta de ontem. É o famoso ‘sobe no boato e cai no fato’. Depois da fala de ontem do Maia [Rodrigo, presidente da Câmara dos Deputados] o mercado abriu na expectativa de que a criação da próxima comissão pra analisar a reforma seria rápida, mas hoje viram que isso deve ficar só para depois do feriado da semana que vem, desanimando os investidores. Com isso, teremos pelo menos mais uma semana de mercado sem novidades sobre a Previdência”, explicou Vitor Miziara, sócio da Criteria Investimentos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília) o Ibovespa registrava queda de 1,34% aos 94.629,72 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 1,49% aos 95.305 pontos.

Maia afirmou ontem, após a aprovação do texto, que vai tentar instalar a comissão especial que analisará o mérito da proposta de reforma da Previdência ainda hoje. “Nós dependemos dos líderes, mas, assim que tivermos uma maioria de deputados indicados para compor a comissão especial, eu vou pedir a instalação, para que a gente comece a trabalhar”, afirmou ele após a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) aprovar a admissibilidade da reforma da Previdência.

“Sobre indicadores econômicos, não tivemos nada de relevante que possa justificar essa queda do Ibovespa hoje. Estamos apenas baseados no cenário político”, acrescentou o especialista da Criteria Investimentos.

O dólar comercial renova máxima atrás de máxima, acima de R$ 3,97, influenciado pelo mercado externo, onde o dólar ganha força frente às moedas pares, principalmente o euro, e as moedas de países emergentes. O que anula a “comemoração” do mercado doméstico após o parecer de admissibilidade da reforma da Previdência ser aprovado na CCJC.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,32%, sendo negociado a R$ 3,9750 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em maio de 2019 apresentava avanço de 1,33%, cotado a R$ 3,974.

“O dólar sobe forte lá fora com investidores correndo para proteção na expectativa de novidades quanto às negociações entre Estados Unidos e China que devem voltar ao radar dos investidores nos próximos dias. Além disso, dados mais fracos na Alemanha levam o euro para terreno negativo”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

O índice de confiança do empresário, da indústria e do comércio da Alemanha caiu de 99,7 pontos em março, para 99,2 pontos em abril. A expectativa dos empresários para os próximos seis meses recuou de 95,6 pontos para 95,2 pontos na mesma base de comparação exibindo o pessimismo dos setores. Quanto à guerra comercial, na semana passada, surgiram rumores de que os governos norte-americano e chinês se encontrariam na próxima semana para selar um acordo tarifária. Porém, o encontro não foi confirmado oficialmente pelos países.

Aqui, analistas reforçam que o mercado já havia precificado a aprovação do texto da reforma na CCJC, o que não “segura” o ímpeto de valorização da moeda estrangeira. “Se eu fosse o governo, também não gastaria muito tempo festejando. A etapa que deveria ser a menos conflituosa tomou quase dois meses para aprovar a matéria e ainda desidratou alguns pontos da reforma, ainda que sem prejuízo fiscal”, avalia o analista político da Levante, Felipe Berenguer.

O analista acrescentas que o desafio é ainda “bastante grande” e começa hoje. Agora, o texto vai para uma comissão especial que ainda deverá escolher nomes para a composição, além de presidente e vice-presidente.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) firmaram-se em alta, em meio à aceleração do dólar, que superou novamente a faixa de R$ 3,95. O movimento de correção ensaiado após a

aprovação da reforma da Previdência na CCJC ganhou força depois dos números do Ibope sobre a avaliação do governo Bolsonaro e diante da piora no exterior, mas sem deslocar o foco dos investidores da cena política local.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,455%, de 6,425% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 7,02%, de 6,96%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,18%, de 8,12%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,71%, de 8,65% após o ajuste anterior.

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