MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento do mercado até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Hoje seria um dia negativo para o Ibovespa se não fosse o desempenho positivo das ações da Petrobras após o núncio de ontem de aumentar o preço do litro do diesel em R$ 0,10 e mostrar ao mercado que a estatal tem certa independência do governo. O lado negativo ainda fica pelo cancelamento ontem da sessão da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) para votação da reforma da Previdência.

“Petrobras sobe forte e só ela já explica a alta do índice. É positivo porque reforça a independência da Petrobras. Claro que o reajuste ainda ficou abaixo da paridade internacional e, se o preço do petróleo subir, essa diferença também vai aumentar. Mas o dia seria negativo ainda refletindo o cancelamento da CCJC ontem”, explicou Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Investimentos.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,97% aos 94.190,07 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,71% aos 94.990 pontos.

O aumento nos preços do diesel anunciado ontem pela Petrobras – de 4,84% – foi muito positivo, embora tenha ficado abaixo do que havia sido anunciado originalmente pela companhia na semana passada, de 5,7%, e que foi posteriormente cancelado, afirmou o banco UBS em relatório. Por volta das 13h30, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiam 2,72%, enquanto o papel ON da companhia (PETR3) avançava 2,16%.

Nos destaques negativos da Bolsa hoje estão as ações da Linx (LINX3) e da Cielo (CIEL3) com retrações de 15,39% e 7,52, respectivamente. “A Rede, empresa do Itaú Unibanco, anunciou que zerou as taxas e isso torna o mercado um pouco mais agressivo. A Linx tem um pouco de meios de pagamento no perfil da empresa. A Cielo também cai forte por causa do anúncio”, explica Guimarães.

A Rede anunciou ontem que vai mudar seus preços e datas de liquidação para compras à vista no cartão de crédito, a partir de agora não será  cobrada nenhuma taxa em adiantamentos a clientes com volumes abaixo de R$ 30 milhões e com domicílio bancário no Itaú, que receberão em dois dias.

Depois de operar com ligeira queda na abertura dos negócios, o dólar comercial passou a subir frente ao real em movimento de busca por proteção por investidores locais em véspera de feriado. Além de acompanhar o comportamento da moeda no exterior, onde ganha terreno frente às moedas pares e de países emergentes.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,15% sendo negociado a R$ 3,9410 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,07% cotado a R$ 3,941.

“Também tem um fator de correção por trás disso, após a forte alta ontem [+0,79%, R$ 3,9350]. Mas o viés altista do dólar continua no exterior e apesar da expectativa de baixa liquidez, o que pode deixar o mercado mais lateral, a tendência é de busca por proteção na véspera do feriado”, comenta o operador de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) mantêm o viés negativo e oscilações estreitas, em uma sessão já marcada pela liquidez reduzida, nesta véspera de feriado no Brasil. Ainda assim, a curva a termo ensaia uma devolução de parte dos prêmios embutidos ontem, com os investidores à espera de novidade sobre a reforma da Previdência na semana que vem.   

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,45%, de 6,46% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 7,06%, de 7,12% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,24%, de 8,31%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,78%, de 8,84%, na mesma comparação.