Medidas do governo chinês sustentam recuperação econômica

Por Carolina Gama

São Paulo – As medidas de estímulo adotadas pelo governo chinês começam a surtir seus primeiros efeitos, apoiando um crescimento econômico mais sólido e diminuindo os temores de uma desaceleração global mais forte, de acordo com especialistas consultados pela Agência CMA.

Foto: Freeimages.com/ Gary Tamin

“Os dados de março da China são, em sua maioria, fortes e a flexibilização das políticas do governo ajudou. Mesmo ajustando-os ao fator do Ano Novo Chinês, esses dados ainda indicam uma recuperação no momento econômico”, disse a economista da Société Générale, Wei Yao.

No primeiro trimestre de 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 6,4% ante o mesmo período do ano anterior, apoiado pela recuperação significativa da produção. A expansão veio em linha com a alta do PIB do quarto trimestre do ano passado, que também foi de 6,4%. Em 2018, o crescimento foi 6,6%.

“O governo da China deve ser capaz de estabilizar o crescimento com políticas de estímulo e um acordo com os Estados Unidos para acabar com a guerra comercial – o que tem cada vez mais chance de acontecer dada a crescente pressão sobre os dois governos. As primeiras indicações são de que as políticas do governo estão funcionando”, afirmou o economista-chefe do IHS Markit, Nariman Behravesh.

A produção industrial, após um começo sem brilho no ano, subiu 8,5% em março ante o mesmo mês do ano anterior. As vendas no varejo no trimestre foram mais fortes do que o esperado, com investimentos imobiliários. Na comparação com o quatro trimestre de 2018, a economia chinesa cresceu 1,4% nos três primeiros meses deste ano. A meta do governo é manter o crescimento entre 6% e 6,5% em 2019.

“Outras medidas de crescimento, como produção industrial, investimentos e vendas no varejo superaram as expectativas para março. Juntos, esses dados pintam uma imagem muito mais positiva para a China e ajudam a diminuir as preocupações sobre o crescimento. No entanto, é cedo demais para declarar uma retomada convincente da economia”, disse a economista da Nordea, Amy Yuan Zhuang.

Segundo Zhuang, o governo chinês deve manter todos os suportes fornecidos pelas políticas em vigor e seguir com uma abordagem de ‘esperar para ver’. “Um mergulho duplo do crescimento é a última coisa que Pequim precisa em meio às negociações comerciais em curso com os Estados Unidos e a proximidade do aniversário de 30 anos do protesto da Praça Tiananmen”, acrescentou.

Behravesh, do IHS Markit, chama atenção ainda para o colapso da venda de terras e das importações ainda fracas na China. “O impulso da exportação se estabilizou, o consumo parece estar no limite e o investimento permaneceu apoiado pelo mercado imobiliário surpreendentemente resistente. A perspectiva é um pouco mais segura, mas ainda demanda cautela”, afirmou.

O ALERTA VEM DAS AÇÕES

Um estudo da Capital Economics reforça a necessidade de cautela com relação ao crescimento chinês mesmo após dados econômicos mais positivos e esse sinal de alerta vem do mercado de ações.

“Achamos que as ações da China cairão nos próximos meses. Um dos motivos é a perspectiva de ganhos com a temporada de balanço. Evidentemente, esperamos que a economia da China se estabilize em pouco tempo, mas os lucros tendem a acompanhar mais de perto as exportações do que a economia doméstica”, disse o economista da Capital Economics, Hubert de Barochez.

Ele explica que, desde a crise financeira global, há uma forte relação entre o crescimento do lucro por ação (EPS) e o crescimento das exportações na China.

“Com isso em mente, o EPS estimado na China aumentou este ano, o que sugere que os investidores estão bastante otimistas quanto às perspectivas de comércio – presumivelmente por causa das expectativas de que um acordo com os Estados Unidos”, afirmou Barochez.

O economista adverte, no entanto, que tal acordo dificilmente conduzirá a uma reviravolta no comércio dada a perspectiva mais obscura para a economia global.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a previsão de crescimento da economia mundial para 3,3% para este, depois de uma expansão de 3,6% em 2018, citando o enfraquecimento na China e na Europa, além das tensões no comércio. No caso da China, o FMI revisou em alta a projeção para o PIB, passando para 6,3%.

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