Macron propõe quatro orientações ao debate nacional

Por Carolina Pulice

Presidente da França, Emmanuel Macron. Foto: Mélina Gaudrée / Présidence de la République

São Paulo – O presidente da França, Emmanuel Macron, realizou um discurso em que propôs quatro novas orientações para o país, uma resposta à série de manifestações dos coletes amarelos no fim do ano passado e neste ano.

“Eu estou aqui para falar sobre as conclusões do grande debate [nacional], de orientação de novos atos para nossa república. As demandas que me foram passadas trataram sobre a eficácia do governo, a representatividade e o sentimento de injustiça. Por isso, proponho quatro novas orientações para adaptar o governo a essas demandas”, afirmou em discurso.

A primeira proposta apresentada por ele dizia respeito ao sistema político de representatividade. Segundo ele, o número de parlamentares e os mandatos serão reduzidos, ao mesmo tempo em que um conselho de participação será criado no lugar de conselhos já estabelecidos. “Em junho, escolheremos 250 cidadãos para formar um comitê, e começaremos a inovar o trabalho do governo a partir da inteligência coletiva”, disse.

A proposta tratava também de redefinir um pacto territorial, para que haja uma descentralização na tomada de poderes. De acordo com Macron, os prefeitos terão maiores poderes de decisão, ao mesmo tempo em que os cidadãos se sentirão melhores representados.

Quando à questão fiscal, Macron disse que vai reduzir “significativamente” o imposto de renda, e que não reduzirá o imposto sobre as fortunas. A cobrança de impostos foi uma das principais reclamações do grupo “coletes amarelos”, que se manifestam no país desde novembro.

“As desigualdades que existem no país não são fiscais. Temos um sistema fiscal que já corrige as desigualdades”, afirmou, propondo ainda explicar melhor o sistema tributário do país.

A terceira orientação tratou do clima. Para o presidente, a questão deve ser tratada com uma metodologia “mais forte, com respostas mais concretas”.

“O clima está no coração do projeto nacional e europeu”, disse. Macron propôs um conselho de defesa ecológica e uma agenda para 2025, com propostas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, e repensar a produção e consumo de alimentos no país.

A quarta orientação falava sobre um “projeto francês”. O presidente francês disse que quer reafirmar a laicidade do governo e renovar a política migratória. Ele também disse que vai aumentar o apoio às famílias monoparentais, concedendo uma pensão familiar para as crianças. “A necessidade de combater a desigualdade está na infância e no trabalho”, disse, que completou ainda que o país precisa criar um sistema de aposentadoria “mais justo”.

O discurso de Macron é resultado de uma série de debates que ocorreram no país, no início do ano, entre representantes de cidades, comitês e instituições, que levaram ao presidente propostas e reclamações sobre o governo francês. O discurso estava previsto para ter acontecido na semana passada, mas foi adiado por conta do incêndio na catedral de Notre Dame.

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