Líder do PSL vê Maia e centrão ditando reforma da Previdência

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – A reforma da Previdência que será aprovada na Câmara dos Deputados estará no formato definido pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pelos deputados do chamado “centrão” – bloco informal que reúne mais da metade dos deputados, afirmou o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO).

Delegado Waldir
O deputado Delegado Waldir (PSL-GO). (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

“A reforma da Previdência será aprovada do jeito que o Rodrigo Maia e o centrão quiserem. São eles que dão as cartas agora”, disse o deputado no sábado (20) ao site “Congresso em Foco”. Ele acrescentou que as concessões que foram cobradas pelo centrão deveriam ter sido implementadas antes. “Ou aceitamos as alterações do centro, ou somos derrotados na CCJ. O governo demorou a perceber isso”, afirmou, segundo o site.

Na semana passada, o relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, Marcelo Freitas (PSL-MG), anunciou que revisaria o parecer sobre a proposta.

A versão revisada deve ser apresentada amanhã e vem a pedido de líderes partidários da Câmara – em particular daqueles do chamado “centrão”, bloco informal que representa 278 dos 513 deputados. No final de março, este grupo se manifestou contra trechos da reforma que mudam a aposentadoria rural, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e que removem as regras previdenciárias da Constituição.

“Diversos temas foram trazidos pelos colegas deputados, verdadeiramente apresentam maior complexidade, exigem do relator análise pormenorizada”, disse Freitas na semana passada. “Observamos também que foram apresentados 13 votos em separado, cada um desses votos levantando temas que apresentam sua relevância”, disse ele.

“Na busca de construir algo demonstrando efetivamente a soberania do parlamento, o relator solicita mais uma sessão para que a gente possa analisar cuidadosamente cada um dos temas e possamos apresentar na próxima terça-feira complementação de voto ou não”, disse ele, na ocasião.

O atraso na votação da reforma da Previdência foi atribuído pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, à inexperiência dos deputados governistas.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Vitor Hugo (PSL-GO), rebateu a crítica afirmando que o Planalto ainda não montou uma base aliada sólida no Congresso.

“As eleições foram atípicas: dois partidos nanicos, rompendo os demais, elegeram um presidente honesto, cristão e patriota. Não houve loteamento de ministérios, acertadamente. Disso tudo, não resultou uma base. Ela simplesmente não existe. É a realidade”, disse ele em sua conta no Twitter.

“Enquanto uma base mais estável não existir, estaremos expostos a todo tipo de contratempos. Uma ideia é que a base se forme tema a tema; caso a caso.

Estamos no meio da transição, da acomodação entre sistemas. Desvios devem ser punidos exemplarmente e a harmonia, buscada a todo custo”, acrescentou o deputado.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com