LFT é boa opção no Tesouro Direto durante incerteza política

19/04/2018 15:01:04

Por: Flávya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Faltam seis meses para as eleições e as incertezas quanto ao quadro de candidatos à Presidência, propostas dos pré-candidatos, principalmente referente à pauta econômica, e a fragmentação de candidatos afetam ativos financeiros, como o câmbio, os juros, o mercado acionário e os títulos públicos.

“Estamos em um ambiente em que fica cada vez mais difícil fazer qualquer previsão para a política e para a economia”, diz a professora do Insper, Juliana Inhasz. “Há muita incerteza quanto aos candidatos, e o pano de fundo é a situação fiscal do País. E sem perspectiva de melhora, o risco só aumenta”, comenta o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos.

Diante dos riscos provocados pelas eleições, a recomendação é apostar nos títulos Tesouro Selic (LFTs – Letras Financeiras do Tesouro), segundo Campos, mesmo que esteja rendendo pouco em razão da taxa básica de juros (Selic) – hoje em 6,50% ao ano (aa), mas com expectativa de que fique no patamar de 6,25% aa a partir de maio até o próximo ano.

“O título está pagando pouco, mas tem o preço preservado. No momento, ele é o mais seguro e conservador porque, independentemente do desfecho eleitoral, tem o menor risco de perder rentabilidade. Por agora, é melhor investir em títulos de curto ou médio prazo [no máximo cinco anos]”, explica o economista.

O professor de finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Heitor Campani, reforça que as LFTs são indicadas para investidores que não querem assumir riscos. “Como o título rende de acordo com a Selic, ele acompanha a oscilação do mercado. Se o mercado sobe, a rentabilidade sobe. Se o mercado desce, a rentabilidade desce. Ou seja, o investidor sempre estará recebendo uma rentabilidade justa”, salienta.

A professora do Insper defende que neste momento, todos os títulos estão sensíveis à instabilidade do mercado. “Os pré e pós-fixados de curto prazo estão com a rentabilidade menor em razão da taxa de juros. Independentemente de quem assumir a presidência, as coisas não devem mudar no ano que vem. Hoje, vale a pena comprar títulos de vencimentos longos porque eles voltarão a ter uma boa rentabilidade”, pondera Inhasz.

Para Campos, os títulos de vencimento entre médio e longo prazo estão mais sensíveis ao cenário de incertezas. Já que, se o candidato eleito adotar uma política “irresponsável”, isso pode levar a economia do País à zona de risco “lá na frente”.

Para a professora, “se o eleito for de esquerda, pode ser que a gente tenha um cenário de juros baixos no curto prazo. Porém, para o ano que vem, pode vir um cenário de aceleração da alta de juros e da inflação”. Já Campani avalia que candidatos com pensamentos políticos que atualmente são considerados de esquerda não devem agradar o mercado nessas eleições.

“Elevando o nível de risco, os juros voltam a subir. Aí, seria interessante apostar em títulos de longo prazo como as NTN-Bs [Notas do Tesouro Nacional série B] porque estes protegem os investidores na alta da inflação, garantindo juro real positivo”, sugere.

Por outro lado, se o candidato eleito for de centro ou de direita, o economista da Tendências destaca que será uma escolha que deixa o mercado mais “aliviado”, já que o eleito deverá seguir com a agenda reformista iniciada no atual governo, o que tende a aliviar as contas públicas e o risco fiscal do País.

Na mesma linha, Campani analisa que, com este cenário político, “a economia vai andar” e a aversão ao risco deve diminuir. “E os títulos pré-fixados [NTN-F – Notas do Tesouro Nacional série F e LTN – Letras do Tesouro Nacional] se tornam uma boa alternativa”, diz o professor.

A instabilidade, segundo os especialistas, seguirá até o fim do ano, enquanto o investidor questiona se ainda vale a pena aplicar em títulos públicos. Campos cita a poupança, caso o objetivo seja investir durante um período mais curto. “Ela se torna uma opção para quem pretende resgatar o dinheiro nos próximos meses, já que o ganho real da poupança está próximo dos títulos indexados à Selic”, avalia o economista.

Inhasz destaca que se o Tesouro Direto estiver dentro da proposta do aplicador, sempre valerá a pena pela segurança do investimento. “Principalmente, se não precisar do dinheiro nos próximos meses ou anos, investe em títulos longos e deixa render”, orienta.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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