Leilão de aeroportos arrecada 10 vezes mais que pedido

POR: ALLAN RAVAGNANI / AGÊNCIA CMA


(Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo – O leilão de aeroportos se encerrou às 11h39 desta sexta-feira (15) com uma arrecadação total de R$ 2,377 bilhões em outorgas, valor com ágio de R$ 2,158 bilhões, 986% a mais ou quase 10 vezes o valor das ofertas mínimas. O resultado foi melhor até do que aquele que governo esperava arrecadar, de R$ 2,1 bilhões.

O grande vencedor do leilão foi a espanhola Aena Desarrollo Internacional, que arrematou o bloco Nordeste (com os aeroportos de Recife, Maceió, Aracajú, Juazeiro do Norte, João Pessoa e Campina Grande) por R$ 1,900 bilhão, com ágio de 1000%, após intensa disputa com a Zurich e o consórcio Região Nordeste pelo bloco.

A suíça Zurich Airport arrematou o Bloco Sudeste (Vitória (ES) e Macaé (RJ), ambos importantes para o setor de óleo e gás) no leilão de aeroportos com a proposta de R$ 437 milhões, com ágio de 547%, dada na rodada inicial. A suíça também disputou – e perdeu – o leilão pelo bloco nordeste, onde desejava o aeroporto de Recife (PE). Também participaram dessa disputa os consórcios CPC – Companhia de Participações em Concessões e a Aeroports de Paris (ADP).

O consórcio Aeroeste, formado pelas empresas Socicam Terminais Rodoviários(85%) e Sinart Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário (15%), arrematou o Bloco Centro Oeste do leilão de aeroportos realizado nesta sexta-feira (15), com lance de R$ 40 milhões, ágio de 4739%, um valor pago 50 vezes maior do que o mínimo exigido pelo certame.

PRÓXIMOS LEILÕES

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, afirmou, em coletiva de imprensa após a quinta rodada do leilão de aeroportos que os próximos blocos de terminais aeroportuários a serem leiloados devem ocorrer nos anos de 2020 e 2021. Serão 36 aeroportos ao todo, divididos em blocos, como ocorreu no leilão de hoje.

“O modelo de leilão em blocos foi um sucesso, deu certo, agora nós vamos comemorar, descansar e já programar os próximos leilões. A sexta rodada deverá acontecer no segundo semestre de 2020 e terá um bloco no Sul, centralizado em Curitiba, outro bloco no Nordeste, e um bloco amazônico, centrado em Manaus. A sétima rodada, que deverá acontecer em 2021, será centrada nas joias da coroa, um bloco centrado em Congonhas, outro no Santos Dumont e o último no de Belém”, contou o ministro.

FINANCIAMENTOS DAS OBRAS

Entre os vencedores dos três blocos de aeroportos no leilão de hoje na B3, o destaque é para a espanhola Aena, que arrematou o bloco Nordeste e afirmou que irá financiar tudo com recursos próprios.

“Para quem não nos conhece, operamos 47 aeroportos na Espanha, temos terminais no México, Chile, Colômbia, Inglaterra e em diversos países, além disso, 80% dos nossos aeroportos são turísticos, por isso nosso interesse na região, nós sabemos o potencial dela e vamos explora-lo”, disse o diretor para área internacional da Aena, o espanhol Juán José Alvarez.

Mostrando conhecimento da região, Alvarez citou o turismo religioso em Juazeiro do Norte (CE), falou dos atrativos turísticos das capitais litorâneas e do potencial de negócios de Recife e Campina Grande. “Vamos disputar com Fortaleza para ser o maior hub do nordeste brasileiro, além de termos agora a capital mais próxima da Europa (Recife), iremos explorar todo esse potencial”,afirmou.

SUDESTE E CENTRO OESTE

Vencedor do bloco Sudeste, com aeroportos de Macaé (RJ) e Vitória (ES), o CEO da Zurich Airport, Stephan Conrad, afirmou que vai financiar as obras e investimentos em parceria com bancos brasileiros, sem citar quais.

Conrad também falou da derrota na acirrada disputa pelo bloco Nordeste. A empresa já havia perdido disputas pelos aeroportos de Fortaleza – para a alemãFraport – e de Salvador para a francesa Vinci, em 2017.

Vencedor do bloco Centro-Oeste, com os aeroportos do Mato Grosso, o consórcio Aeroeste foi representado por Wanderley Galego Junior, diretor novos negócios da Socican – empresa que administra 150 terminais rodoviários e 10 aeroportuários. Segundo ele, os investimentos também serão feitos com parcerias de bancos nacionais.

INVESTIMENTOS

Os consórcios que arremataram os 12 aeroportos terão agora de fazer os investimentos para ampliação e manutenção dos terminais pelos próximos 30 anos. Somente nos primeiros cinco anos de vigência da concessão, serão necessários investimentos da ordem de R$ 1,470 bilhão, sendo R$ 788 milhões no Nordeste, R$ 302 milhões no Sudeste e R$ 386,7 milhões no Centro-Oeste.

Os primeiros investimentos, chamados de ações imediatas, estão previstos para os primeiros 180 dias de contrato, que devem contemplar adequação de banheiros, fraldários, sinalizações e informações nos terminais de passageiros, disponibilização de internet wifi gratuita e de alta velocidade, melhoria na climatização, escadas e esteiras rolantes, elevadores e esteiras para bagagens.

Na sequência os investimentos estarão focados para adequar infraestrutura e recomposição no nível do serviço para atender parâmetros internacionais da IATA, tanto na parte de pistas quanto nos terminais de passageiros.

Para Recife, que recebe mais de cinco milhões de passageiros por ano, as obras serão maiores para ampliação de infraestrutura. A proposta é aumentar o número de embarques domésticos em 65% e internacionais em 95%.

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