Lava Jato investiga propina de US$ 31 mi por tradings do setor de óleo

05/12/2018 11:00:00

Por: Leandro Tavares / Agência CMA

São Paulo – A 57a fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal (PF), batizada de “Sem Limites”, investiga o pagamento de propina para funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014, por grandes empresas do setor de petróleo e derivados -, conhecidas como tradings. Dentre as empresas investigadas estão Vitol, Trafigura e Glencore.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), existem suspeitas que entre 2011 e 2014 essas três empresas fizeram pagamentos de propinas para intermediários e funcionários da Petrobras de US$ 5,1 milhões, US$ 6,1 milhões e US$ 4,1 milhões, respectivamente, relacionadas a mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo. Além dessas empresas, outras tradings continuam sendo investigadas por suspeitas de pagamento de propinas para funcionários da estatal.

O MPF explicou que as investigações apontaram que os subornos beneficiavam funcionários da gerência executiva de Marketing e Comercialização, subordinada à diretoria de Abastecimento. As operações de trading e de locação que subsidiaram os esquemas de corrupção foram conduzidas pelo escritório da Petrobras em Houston, nos Estados Unidos, e pelo centro de operações no Rio de Janeiro.

Nos esquemas, alguns funcionários da Petrobras corrompidos se referiam à diferença entre o preço de mercado de compra ou venda do petróleo ou derivados e o preço mais vantajoso concedido às tradings mediante pagamento de propina como “delta”. Trata-se de alusão à quarta letra do alfabeto grego “duas variáveis.

A PF cumpriu mandados nos estados do Paraná e Rio de Janeiro, com 37 ordens judiciais, sendo 26 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão preventiva e seis intimações. Além disso, foram expedidas ordens de sequestros de imóveis, a indisponibilidades de bens, bem como o bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento.

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