Juros futuros devem cair se Bolsonaro for eleito presidente

25/10/2018 12:04:52

Por: Olívia Bulla / Agência CMA

São Paulo – A perspectiva de vitória do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo já está, em grande parte, embutida nos preços dos ativos brasileiros. Ainda assim, os investidores devem comemorar o resultado das urnas no curto prazo, reduzindo os prêmios de risco em toda a curva de juros futuros, na esteira de uma valorização do real e na confiança em um governo liberal-reformista a partir de janeiro de 2019. Mas dúvidas sobre o programa econômico e a governabilidade tendem a limitar o rali dos negócios locais.

“O mercado já parece estar precificando um resultado favorável para as eleições, o que significa maior probabilidade de o próximo presidente sinalizar disposição e capacidade em adotar uma agenda fiscal razoável e a reforma da Previdência”, avalia o economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molan.

Para ele, se o novo presidente for capaz de restaurar a credibilidade no ajuste fiscal e nas reformas estruturais, há espaço para o risco país, medido pelo CDS de 5 anos, cair do nível atual um pouco acima de 200 pontos para a faixa entre 150 e 170 pontos, com retirada de prêmios nos DIs mais longos. “Isso estaria associado a uma taxa de câmbio mais forte, com o dólar ao redor de R$ 3,50”, acrescenta.

Na mesma linha, o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, avalia que há espaço para uma continuidade da euforia no mercado financeiro brasileiro, diante dos ideais liberais-ortodoxos da equipe econômica de Bolsonaro. “Se ele vencer e indicar nomes com esse viés deve dar suporte para o real e para a retirada de prêmios na curva”, diz.

Assim, embora boa parte dos ativos brasileiros já precificam a vitória de Bolsonaro, há espaço para uma evolução adicional. “Essa melhora se deve à concretização da eleição e, principalmente, ao noticiário pós-eleitoral com sinalizações para o mercado com vistas a 2019”, afirma o consultor de investimentos Renan Sujii.

Ele divide o período após as eleições em três fases. Primeiro, a transição de governo, entre novembro e dezembro, com a possibilidade de Bolsonaro adiantar medidas e encaminhar propostas ainda em 2018. Depois, o início do mandato, com as primeiras ações e sinalizações da equipe econômica, permitindo aferir o grau de liberdade que Paulo Guedes terá.

Por fim, Sujii avalia que o período pós-início de mandato é o mais crucial. “Aí começam os ‘testes de fogo’ em relação à articulação política e formação de uma base de apoio (no Congresso)”, completa. Para ele, por enquanto, o mercado adota uma “visão construtiva” em relação a um governo Bolsonaro, “vendo o copo meio cheio e dando um voto de confiança”.

Porém, o estrategista de multimercados da Icatu Vanguarda, Dan Kawa, avalia que algumas incertezas em relação a um provável governo Bolsonaro ainda persistem. “Os planos econômicos dele ainda são uma grande incógnita, a despeito do otimismo do mercado, e sua implementação uma incerteza ainda maior”, diz.

Com isso, é difícil apostar em uma trajetória estrutural de valorização do real, o que tende a limitar a retirada de prêmios da curva a termo, com as taxas dos DIs buscando níveis baixos de modo sustentável. “Acredito que exista um ‘piso’ para o dólar e vejo pouco prêmio de risco no mercado de juros diante de um ambiente global mais desafiador”, afirma Kawa.

Edição: Eduardo Puccioni (e.puccioni@cma.com.br)

Deixar um comentário