Itália tem expansão fraca e déficit crescente, alerta Moscovici

Por Carolina Gama

São Paulo – O governo italiano conseguiu evitar o procedimento de déficit excessivo da União Europeia, mas seguirá sendo acompanhada de perto pelas autoridades do bloco, segundo o comissário europeu para Assuntos Econômicos e Financeiros, Pierre Moscovici.

Pierre Moscovici, representante da Comissão Europeia para assuntos econômicos e financeiros (Divulgação/Conselho da União Europeia)

“A Itália continua sendo um país com um crescimento fraco e déficits crescentes que precisam ser gerenciados, com uma dívida pública que continua a crescer. Discutimos em dezembro com o governo italiano e nos foi assegurado que esse procedimento não era necessário. Temos de continuar a acompanhar a situação e temos outro encontro antes da apresentação do orçamento para 2020, em 15 de outubro”, disse Moscovici.

No início de junho, a União Europeia divulgou um comunicado no qual indicava que poderia abrir um processo disciplinar contra a Itália, com uma multa de 3 bilhões de euros, por conta de o país ter desrespeitado as regras fiscais do bloco. Na semana passada, no entanto, o comissário anunciou que o procedimento não seria aberto contra Roma no momento.

“Os compromissos do governo italiano para 2020 devem ser mantidos de maneira precisa. Espero que todos tenham entendido na Itália que é melhor discutir juntos e respeitar as regras do que entrar em uma situação de confronto que considero inútil”, acrescentou Moscovici.

Falando na chegada no encontro do Eurogrupo (que reúne dos ministros das Finanças da eurozona), em Bruxelas, Moscovici disse ainda que o governo italiano precisa adotar medidas para cumprir as regras fiscais da UE.

“Entendo que [o governo italiano] não quer aumentar o IVA [imposto sobre valor agregado], mas se não o fizer, deve haver alguma medida de compensação para que, finalmente, o orçamento esteja em conformidade com as regras”, afirmou.

Moscovici projeta um déficit fiscal de 3,5% para o próximo ano na Itália acima dos 3,0% previstos pelas regras da UE e também dos 2,04% para este ano. “Claro que isso não seria aceitável, levaria a uma dívida pública superior a 145%. O governo italiano disse que vai se ater ao que foi nos enviado em abril, de 2,1%. Cabe a Roma definir as medidas que vão tomar até lá”, completou.

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