Irmãos Batista têm personalidade criminosa, diz Polícia Federal

13/09/2017 13:24:45

Por: Allan Ravagnani / Agência CMA

São Paulo – “Pedimos a prisão preventiva dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista para manter a ordem social e econômica. São pessoas com a personalidade criminosa, réus confessos que continuaram a delinquir mesmo após assinarem acordo de delação, no qual se comprometiam a parar com os crimes”, justificou o delegado da Polícia Federal, Vitor Hugo Rodrigues Alves, responsável pela Operação Tendão de Aquiles.

De acordo com o delegado, os irmãos Batista tinham total consciência da prática criminosa que cometiam no mercado financeiro. “Faziam [as operações com ações e derivativos em dólar] com total consciência do impacto e das consequências no mercado”, disse durante coletiva de imprensa na sede da PF.

No entendimento dos policiais, os irmãos Batista violaram os termos do acordo de delação premiada conscientemente, pois tinham total noção das práticas criminosas. O também delegado da PF, Rodrigo de Campos Costa, disse que tais crimes podem levar ao cancelamento do acordo de delação premiada, que além da paralisação das práticas criminosas previa também a colaboração com a polícia.

De acordo com os delegados, ao procurarem as autoridades federais para confessarem seus crimes e fazerem um acordo no âmbito da delação premiada, Joesley e Wesley tinham total consciência de que o vazamento dessas informações abalaria o mercado financeiro e as ações da empresa na Bolsa.

MOVIMENTAÇÕES NO MERCADO

Sabendo disso, os irmãos, sócios na empresa FB Participações – que detém 42,5% da JBS, passaram a fazer operações de vendas de suas ações, no total de R$ 327 milhões, após o acordo firmado. Para não inundar o mercado de papéis da empresa, derrubando o preço das ações e chamando a atenção do mercado, Wesley recomprou as ações por meio da própria JBS, sabendo da futura queda nas cotações com a divulgação dos dados.

Segundo o delegado Costa, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda calcula os valores totais das transações. “Mas o que houve foi que os irmãos sabiam que haveria um prejuízo nas ações da JBS e transferiram um grande lote de sua cota pessoal para a empresa, para assim diluírem esse prejuízo com todos os outros acionistas”, completou.

No mercado de câmbio, o grupo J&F comprou U$ 1 bilhão às vésperas da divulgação da gravação, no dia 17 de maio. Somente no dia seguinte a moeda norte-americana se valorizou 9%, gerando lucros para os empresários. Os irmãos cometeram o crime de “insider trading”, que é o uso de informações privilegiadas para obter lucros financeiros.

AS PRISÕES

Wesley Batista foi preso nesta manhã em São Paulo. A ordem de prisão preventiva, sem data para expirar, foi expedida pela 6a Vara Federal Criminal de São Paulo. Joesley, seu irmão, foi preso temporariamente no domingo e transferido para Brasília, no processo aberto pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por omissão de informações no acordo.

A prisão temporária de Joesley vence nesta sexta-feira (15) e, caso o juiz não a renove, ele deve ser transferido para São Paulo, próximo do irmão, para cumprir o mandado de prisão preventiva no processo daqui.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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