IPCA-15 acelera e tem maior taxa desde greve dos caminhoneiros

Por Flávya Pereira

São Paulo – A prévia da inflação oficial no país, medida pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), subiu 0,72% em abril, acelerando-se em relação à alta de 0,54% apurada em março e registrando a maior taxa para o mês desde 2015 (+1,07%). O resultado mensal ficou acima da mediana das expectativas do mercado financeiro, de +0,68%, conforme o Termômetro CMA.

Com isso, o IPCA-15 acumula altas de 1,91% no ano e de 4,71% nos últimos 12 meses, até este mês. O resultado no período de 12 meses também ficou acima da mediana das estimativas, de +4,67%. As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a taxa mais alta desde junho de 2018 (+1,11%), quando o indicador foi impactado pela paralisação dos caminhoneiros no fim de maio. Segundo o IBGE, o grupo Transportes registrou a maior variação percentual neste mês, de +1,31%, representado o maior impacto entre as classes de despesa, de 0,24 ponto percentual (pp), no resultado geral do IPCA-15. Em seguida, aparece o grupo Alimentação e bebidas (+0,92%), respondendo por 0,23 pp no indicador.

Juntos, esses dois grupos corresponderam a cerca de 80% do IPCA-15 no mês. Nessas classes de despesa, destaque para os combustíveis (+3,00%), em especial a gasolina, que registrou variação positiva de 3,22%, item responsável pelo maior impacto individual no indicador, com 0,14 pp. Também contribuíram para as altas o etanol (de 2,64% para 2,74%) e o óleo diesel (de 0,67% para 1,06%).

No mesmo grupo, a variação dos ônibus urbanos (+1,04%) em função de reajustes em algumas regiões também pesaram no indicador. Movimento também observado nos itens trem (+3,05%) e metrô (+0,68%) também em razão de reajustes em algumas capitais. Já as passagens aéreas (+5,54%) também subiram na passagem de março para abril, porém, desacelerando-se em relação ao mês anterior (+7,54%).

No grupo Alimentos e bebidas, os principais impactos vieram de alimentação no domicílio (+1,43%), puxado pelo tomate (+27,84%), sendo a segunda maior contribuição individual do mês (0,07 pp), seguido por frutas (+3,36%) e carnes (+1,55%). Destaque também para a cebola que acelerou-se a 13,44% neste mês.

Por outro lado, a única variação negativa veio do grupo Comunicação (-0,05%), sem provocar impacto no índice mensal (0,00 pp), na taxa geral.

Quanto aos índices regionais, houve aceleração na alta de preços na passagem de março para abril em oito das 11 áreas pesquisadas, puxado por Porto Alegre (+1,27%) e Salvador (+1,06%), enquanto o menor índice foi registrado em Goiânia (-0,01%). Em São Paulo, o indicador acelerou 0,72% ante 0,56% no mês passado.

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