Investimento em LFTs deve cair no último trimestre do ano

01/11/2017 15:15:36

Por: Flavya Pereira / Agência CMA

São Paulo – Receosos com a rentabilidade dos títulos públicos após os cortes na taxa básica de juros (Selic) e com a queda da inflação ao longo do ano, investidores devem frear as aplicações no título indexado à Selic neste último trimestre. A LTF [Letra Financeira do Tesouro] pode perder atratividade e espaço para a poupança, já que os ganhos reais – quando descontados impostos e inflação – ficam menos atrativos.

“Com a queda da Selic praticamente certa para 7% aa em dezembro [quando será realizada a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária Copom], o investidor está avaliando se aplicar no Tesouro ainda é interessante. Com a tendência do juro cair mais até 2018, pode sim ter uma migração para a poupança, já que não há cobrança de Imposto de Renda (IR) e taxa de custódia”, avalia o professor de finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Joelson Sampaio.

Desde setembro, a correção dos rendimentos da poupança é de 70% da taxa Selic, o equivalente a 5,25%, mais a Taxa Referencial, calcula pelo Banco Central (BC). “É claro que a rentabilidade da LFT ainda é atrativa se você avaliar os ganhos reais, mas ela pode empatar com a poupança por ter a cobrança do IR e de taxas”, ressalta Sampaio.

Para o planejador financeiro do Lab do Valor, Jaques Cohen, o Tesouro Selic continua sendo um bom investimento, por contemplar os investidores, que aplicam montantes menores no título. “Ele continua sendo bom por causa da rentabilidade real. Principalmente, para novos investidores que começam as aplicações com quantia pequena. E também pelo investimento em curto prazo, já que é mais conservador, o perfil de boa parte dos investidores do Tesouro Direto”.

Em setembro, as aplicações no valor de até R$ 1 mil corresponderam a 56% do total, sendo 101.385 aplicações, seguida por investimentos entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, que chegou a 11,2% do total de aplicações, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

Já o gerente de investimentos da Concórdia Corretora, Mauro Mattes, destaca que o Tesouro Selic é muito procurado por ser um título de curto prazo, o que “vai ao encontro com o perfil do brasileiro que é imediatista. Ou seja, eles não miram títulos com vencimento no longo prazo. Daí, opta por aquele de vencimento no curto prazo por ser mais rápido, e também mais fácil de entender os valores pagos”.

Ainda que a Selic tenha tido queda intensa ao longo do ano [6,25 pontos percentuais, indo de 13,75%, em janeiro, a 7,5% em outubro], desde junho, o título mais demandado pelos investidores no Tesouro Direto é o Tesouro Selic, com participação de 54,2% nas vendas em setembro.

“Muitos investidores aplicam no Tesouro Selic como forma de fazer proteção com uma possível alta da taxa de juros no futuro. Mesmo que esteja caindo hoje, o juro deve voltar a subir, e dependendo do vencimento, o ganho de rentabilidade pode estar garantido”, explica o professor da Fecap.

Contudo, o planejador financeiro do Lab do Valor pondera que, mesmo sendo um bom investimento, as aplicações nas LFTs tendem a cair entre outubro e dezembro. “Vai ter um impacto no número de investidores sim, porque muita gente vai olhar só para a taxa de juros nominal [Selic – 7,50% aa], que está caindo, e vai achar que está perdendo dinheiro”, diz.

Ele ressalta, no entanto, que para iniciar os investimentos, “o Tesouro Selic continua sendo o melhor título, mesmo com queda no rendimento”, conclui.

E esse é um bom momento para investir, já que é época de 13o salário, ao invés de deixar o dinheiro na poupança, avalia o gerente da Concordia.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

 

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