Inflação acelera no Japão, mas banco central deve manter política monetária inalterada

Foto: Edwin Pijpe / FreeImages.com

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A taxa de inflação do Japão tem acelerado nos últimos meses, e o núcleo da inflação alcançou em abril seu maior nível em três anos, mas os dois índices permanecem distante da meta de 2% do Banco do Japão (BoJ) e, assim, o banco deve manter sua política monetária inalterada, de acordo com analistas consultados pela Agência CMA.

O índice de preços ao consumidor do Japão subiu 0,9% em abril ante o mesmo mês de 2018, após a alta de 0,5% em março e de 0,2% em fevereiro. Excluindo preços de alimentos e energia, o índice subiu 0,6% na comparação com abril de 2018 – a maior alta desde meados de 2016 – após a alta de 0,4% de março e também de 0,4% em fevereiro.

Segundo o economista da Capital Economics, Darren Aw, uma das razões para a aceleração da inflação em abril é que a queda dos preços de alimentos frescos chegou ao fim. Já o núcleo da inflação acelerou em parte como resultado de um aumento na inflação de serviços de 0,3% em março para 0,5% em abril, devido a um pico na inflação de pacotes turísticos voláteis.

Além disso, as empresas estão aumentando os preços após o início de seu ano fiscal, disse o analista do Société Générale, Arata Oto. “Para manter as vendas e a lucratividade, as empresas provavelmente repassarão os custos mais altos aos consumidores, aumentando os preços”, afirmou.

“Com os salários começando a aumentar também, a diminuição da demanda doméstica como resultado de preços mais altos deve ser menor. À luz destas circunstâncias, as empresas parecem cada vez mais dispostas a empreender tais movimentos”, acrescentou.

Porém, tanto a taxa de inflação quanto o núcleo do índice devem voltar a desacelerar num futuro próximo. Aw explicou que a alta nos preços de energia passou de 5,1% em março para 4,6% em abril, com a baixa na taxa de inflação de eletricidade e gás superando os avanços nos derivados de petróleo.

“Acreditamos que a desaceleração da inflação de energia deve continuar”, afirmou. “A queda na taxa de inflação de eletricidade e gás está longe de terminar, dada a sua habitual defasagem com a taxa de inflação dos derivados de petróleo. E, embora os preços globais do petróleo tenham subido nos últimos meses, esperamos que eles voltem a cair para US$ 60 por barril até o final do ano”.

Da mesma forma, o núcleo da inflação deve moderar-se. “A desaceleração econômica já resultou em uma moderação nos preços ao produtor de bens de consumo, que serão transferidos para os preços de bens de consumo nos próximos meses”, disse. Ele espera que o núcleo da taxa caia até -0,5% no final do ano, retirando os efeitos do aumento do imposto sobre vendas de outubro.

Oto, por sua vez, destacou que as pressões macroeconômicas ao núcleo da inflação permanecem. Segundo ele, a redução obrigatória do governo nos preços dos serviços de telefonia celular e a decisão de tornar gratuita a educação da pré-escola colocarão pressão de baixa técnica nos preços nos próximos meses. “No entanto, quando esses efeitos técnicos se desvanecerem, esperamos que os preços acelerem”, disse.

POLÍTICA MONETÁRIA

A recente aceleração na taxa de inflação e no núcleo do índice, porém, não deve alterar a atual postura de política monetário do BoJ. Atualmente, a taxa de depósitos aplicada sobre parte das reservas dos bancos comerciais, que serve como referência para os juros de curto prazo, está em -0,1%, e a meta para os juros dos títulos de dívida pública de dez anos, usada de referência para o longo prazo, está em zero.

“Não esperamos que o BoJ mude suas decisões políticas após os dados de inflação”, disse Oto, pois o banco central continua a acreditar, como indicou em seu último relatório de perspectivas divulgado na reunião de política monetária de abril, que os preços vão acelerar em direção à meta de 2%.

No relatório, o BoJ disse esperar que o índice de preços ao consumidor excluindo alimentos frescos tenha alta de 0,9% para o ano fiscal de 2019, que terminará em março de 2020, mesma previsão do relatório anterior, de
janeiro. Para o ano fiscal de 2020, a projeção para a inflação passou de
1,4% para 0,8%, e para o ano fiscal de 2021 a projeção é de 1,6%. As estimativas excluem os efeitos do aumento do imposto sobre vendas, de outubro.

“Com o hiato do produto permanecendo positivo, a postura das empresas gradualmente mudará em direção a elevar ainda mais os salários e os preços, e a tolerância dos preços das famílias aumentará”, disse o BC japonês, no relatório .

“Nessa situação, é provável que novos aumentos de preço sejam observados amplamente e, em seguida, as expectativas de inflação de médio a
longo prazo sejam projetadas para aumentar gradualmente. Como consequência, a taxa de variação anual no índice de preços ao consumidor (IPC) deverá aumentar gradualmente para 2%”, concluiu.

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