Impacto positivo de retomada de negociações de EUA e China é temporário

Reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. Foto: Divulgação/ Casa Branca.

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A retomada das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China é um resultado positivo, mas trata-se de um fator temporário, uma vez que a atual disputa não vai embora tão cedo e vai continuar a ter impactos negativos na economia global, de acordo com especialistas do Bank of America Merrill Lynch.

No final de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, concordarem em retomar as negociações comerciais entre os dois países. Washington adiou a nova rodada de taxas a bens importados da China, enquanto Pequim concordou em comprar mais bens agrícolas norte-americanos.

Para o chefe de economia global do Bank of America Merrill Lynch, Ethan Harris, o encontro de Trump e Xi no G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes), no Japão, foi uma repetição da reunião do G-20 anterior, em dezembro de 2018, em Buenos Aires.

“Uma surpresa positiva é que as empresas norte-americanas poderão vender insumos para a Huawei”, disse. “Mas a última trégua não durou muito”, acrescentou, lembrando que Trump aplicou tarifas à China em maio deste ano e fez ameaças constantes de novas taxas. Na visão de Trump, o déficit comercial com a China é injusto e precisa ser corrigido.

Por outro lado, Harris destacou que “o latido é maior do que a mordida”, uma vez que a administração de Trump quer evitar a imposição de taxas a bens de consumo chineses, uma medida impopular. Harris destaca que as tarifas aplicadas até agora foram destinadas a bens intermediários e bens de capital, e que uma possível terceira rodada afetarias os bens de consumo.

Mesmo com o acordo do final de semana, porém, as perspectivas de longo prazo não são otimistas. “A atual guerra comercial não vai embora tão cedo, e o déficit comercial vai continuar grande entre os Estados Unidos e a China”, de acordo com Harris.

A chefe de ações e estratégia quantitativa nos Estados Unidos do Bank of America Merrill Lynch, Savita Subramanian, disse que os impactos positivos da trégua acordada entre Trump e Xi no final de semana são limitados. “O resultado é positivo, mas em base temporária”, disse.

Segundo ela, a ameaçara de tarifas adicionais foi removida por agora, após Trump e o presidente da China, Xi Jinping, concordarem com uma trégua. Mas os mercados devem continuar cautelosos nos próximos dias, e as perspectivas de um acordo comercial definitivo ainda são baixas.

ECONOMIA GLOBAL

Harris disse ainda que a guerra comercial deve continuar sendo o principal fator que impacta de forma negativa o crescimento da economia global. Outros fatores, porém, também pesam, como a redução do impulso dos estímulos fiscais nos Estados Unidos, as incertezas do Brexit e situações adversas em economias emergentes, como Turquia, Argentina e Brasil.

O Bank of America Merrill Lynch prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global será de 3,3% este ano e no ano que vem, após a alta de 3,7% no ano passado.

Por outro lado, podem contribuir para a expansão econômica global os estímulos fiscais fortes na China e os sinais de diversos bancos centrais em direção ao afrouxamento monetário, como o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), ainda que o espaço de manobra seja limitado.

Segundo a chefe do Bank of America Merrill Lynch para economia dos Estados Unidos, Michelle Meyer, o Fed deve cortar a taxa de juros do país em setembro deste ano, mas como o banco central é dependente de dados, isso pode acontecer antes, em julho, caso a situação da economia piore.

“O Fed não vai tolerar nenhum sinal de recessão, vai sair à frente”, disse. “O Fed armou o palco para afrouxamento”, concluiu. Na reunião mais recente, em junho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve a taxa básica de juros do país inalterada no intervalo entre 2,25% e 2,5%, e indicou manutenção dos juros este ano.

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