Ibovespa fecha no menor nível desde janeiro

Foto: Luiz Prado / LUZ

São Paulo – Após uma semana de extrema volatilidade principalmente em função da reforma da Previdência e na qual atingiu a marca histórica de 100 mil pontos, o Ibovespa encerrou devolvendo ganhos de mais de dois meses e fechou em queda de 3,09% nesta sexta-feira, aos 93.735,15 pontos.

Trata-se do menor patamar desde o dia 11 de janeiro deste ano (93.658,31 pontos) e da maior queda percentual desde o dia 6 de fevereiro (94.635, 57 pontos). Na semana, a queda foi de 5,45% e passou a ter queda de 1,93% no mês de março, sendo que até ontem subia 1,20%.

“Foi uma semana carregada e de recorde do Ibovespa, com decisão de bancos centrais, entrega de reforma dos militares. Mas hoje o mau humor que já vinha com a Previdência dos militares foi agravado pela dúvida de que Maia [Rodrigo, presidente da Câmara] pode estar fora da articulação”, disse o analista da Eleven Financial Research, Enrico Cozzolino.

Para ele, essa dúvida eleva a dificuldade dos investidores de precificar o cenário e quanto tempo a reforma da Previdência será aprovada. Há rumores de que Maia, que vinha sendo figura central, pode deixar a articulação do governo depois de se irritar com o filho do presidente Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, em função de críticas que recebeu por meio de redes sociais.

O presidente da Câmara também já estava tendo atritos com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, em função da votação de pacote de medidas de segurança elaborado por Moro. Além disso, o sogro de Maia, o ex-ministro Moreira Franco e o ex-presidente Michel Temer foram presos ontem, notícia que também reiterou a tensão na cena política.

No cenário externo, o dia também foi de aversão ao risco, com queda das bolsas europeias depois de dados mais fracos da economia da região, o que fez os juros (yields) dos títulos de dez anos do governo da Alemanha ficarem brevemente negativos pela primeira vez desde outubro de 2016. Os dados se somaram à preocupação já existente de uma desaceleração da economia mundial e ao número do índice dos gerentes de compras (PMI,na sigla em inglês) sobre a atividade industrial dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado, e fez as bolsas norte-americanas recuarem.

Entre as ações, as de bancos tiveram fortes quedas, caso dos papéis do Itaú (ITUB4 -2,95%), assim como as ações da Petrobras (PETR4 -5,46%).Já as maiores perdas do Ibovespa foram das ações da B2W (BTOW3 -9,09%) e da Lojas Americanas (LAME4 -8,10%), que já tiveram fortes quedas ontem com balanços negativos. Na contramão, as ações do Suzano (SUZB3 1,19%) e da Kroton (KROT3 0,37%) foram as únicas altas.

Na semana que vem, a reforma da Previdência deve continuar no foco do mercado, que irá analisar possíveis declarações de Maia e o clima no Congresso, sendo que a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) precisa escolher um relator para dar andamento à reforma. Além disso, investidores devem ficar atentos à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e ao IPCA-15. No exterior, autoridades chinesas e norte-americanas devem voltar a se reunir no fim da semana para seguir com negociações comerciais.

Apesar dos temores em relação à situação política, analistas seguem apostando na aprovação da reforma da Previdência e acreditam que investidores, principalmente, estrangeiros podem aproveitar o momento de baixa para comprarem Bolsa e se posicionarem para possíveis altas futuras. No entanto, há expectativa de que o governo melhore a sua comunicação.

“Acredito que a reforma possa ser aprovada ainda este ano, mas talvez não no período que se projetava. Por enquanto, o Ibovespa continuará volátil e vamos ter que ver uma sinalização por parte do governo de alinhamento com o legislativo”, disse o economista-chefe da Geral Investimentos, Denílson Alencastro.