Ibovespa encerra pregão estável, enquanto dólar registra queda de 0,89%

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

Após encerrar maio com alta de 0,70%, o Ibovespa fechou o primeiro pregão de junho praticamente estável, com queda de 0,01%, aos 97.020,48 pontos. O cenário externo negativo, apesar de falas consideradas positivas de um membro do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), pesou sobre o índice. Por outro lado, investidores seguem otimistas apostando no andamento da reforma da Previdência.

Entre as ações, as de frigoríficos tiveram forte perdas com após um caso de vaca louca, enquanto a Petrobras subiu com possíveis vendas de ativos. O volume total negociado foi de R$ 14,3 bilhões.

Para o analista da corretora Necton, Glauco Legat, o ambiente externo ainda pesado pode ter tido mais influência no índice hoje, embora, o Ibovespa tenha mostrando resistência e se descolado do exterior em vários pregões. “Há um contexto externo de receio de recessão, de guerra comercial e hoje as ações de empresas de tecnologia tiveram queda forte nos Estados Unidos”, afirmou.

A maioria dos índices norte-americanos fechou em baixa, com destaque para a queda de mais de 2% do índice Nasdaq, que refletiu as ações do setor de tecnologia após uma série de investigações sobre medidas antitruste que foram feitas pelas empresas. Os papéis do Facebook, por exemplo, caíram 7,51%. Soma-se a isso o temor contínuo sobre a guerra comercial com a China.

Por outro lado, essa preocupação com a tensão comercial e uma desaceleração econômica global, poderia fazer com que os Estados Unidos cortassem os juros. Essa possibilidade foi levantada em declarações do presidente da unidade do Fed de Saint Louis, James Bullard. Segundo o diretor de operações da Mirae Asset Corretora, Pablo Spyer, as falas foram positivas e ajudaram a impedir uma queda maior do Ibovespa. “Bullard disse que pode ser necessário cortar juros para sustentar a inflação diante de uma desaceleração com a crescente guerra comercial. Juros mais baixos significam investimentos em Bolsa e pode melhorar a situação do país”, afirmou.

Entre as ações, as de frigoríficos, como da JBS (JBSS3 -2,97%) e Marfrig (MRFG -4,09%), encerraram com fortes perdas depois que uma notícia do jornal “Valor Econômico” informou que o Ministério da Agricultura resolveu suspender as exportações de carne bovina à China após confirmar caso de vaca louca no Mato Grosso. Também tiveram queda significativa as ações da Natura (NATU3 -3,89%).

Na contramão, os maiores ganhos do Ibovespa foram das ações da Via Varejo (VVAR3 5,53%), em meio a especulações de novos interessados em comprar a fatia do Grupo Pão de Açúcar na varejista. Entre eles estariam a Lojas Americanas e a Starboard e a gestora Apollo. Ainda foi um dia positivo para as ações da Petrobras (PETR3 2,20%; PETR4 1,72%), já que segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, em junho, o Cade e a estatal devem assinar um acordo que obrigará a Petrobras a vender 50% de suas refinarias. Também há expectativas pela venda de outros ativos em breve.

A cena política local é outro fator que ajuda o Ibovespa a não aprofundar perdas, com expectativa por votações de medidas provisórias no Senado ainda hoje, como a MP 871, contra fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também é muito esperado o relatório sobre a reforma da Previdência, que pode ser apresentado esta semana na comissão especial. Para o analista da Necton, o andamento da reforma pode manter o Ibovespa com o tom mais positivo ao longo da semana, embora seja preciso continuar monitorando o cenário externo.

CÂMBIO

O dólar comercial fechou em queda de 0,89% no mercado à vista, cotado a R$ 3,8900 para venda – no menor nível desde 16 de abril quando encerrou o pregão em R$ 3,9040. O otimismo observado desde a semana passada entre investidores locais com a política prevaleceu, com a percepção de que o ambiente está “positivo” para a avanços significativos da reforma da Previdência no Congresso.

“A percepção do mercado local com a equipe do presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais otimista com a reforma da Previdência, que poderá ser aprovada antes de julho na Câmara dos Deputados, ajudou no fortalecimento do real”, comenta o operador de câmbio da Correparti, Guilherme França.

À tarde, a declaração do dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), James Bullard, de que a autoridade monetária pode estar “perto” de cortar a taxa de juros nos Estados Unidos. “A moeda bateu mínimas sequencias após o discurso do presidente da autoridade monetária de Saint Louis, que destacou que a guerra comercial pode impactar a economia norte-americana levando o Fed a cortar juros”, destaca França.

Amanhã, sem indicadores fortes na agenda, o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve atrair o foco dos investidores atentos a alguma pista a respeito da trajetória dos juros norte-americanos. “Acho difícil ter algo muito explícito sobre o futuro dos juros por lá. O Powell já vem falando a respeito, sempre reiterando paciência e atenção aos indicadores”, avalia o diretor de gestão da Meta Asset, Alexandre Horstmann.

Para o diretor da Meta, aqui, o mercado seguirá acompanhando o andamento das votações de medidas provisórias (MPs). “Às vezes, essas MPs não têm nada a ver com a Previdência, porém, pode indicar a capacidade de articulação do governo para aprovar a reforça”, diz.

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