Ibovespa encerra em alta diante de melhora no ambiente político

Por Danielle Fonseca e Flávya Pereira

O Ibovespa encerrou em alta pelo terceiro pregão seguido, com ganhos de 0,18%, aos 96.566,55 pontos, refletindo a melhora do ambiente político, com investidores otimistas com o andamento da reforma da Previdência. Durante à tarde, no entanto, o índice chegou a cair refletindo a piora das bolsas norte-americanas, em dia marcado por forte aversão ao risco em função da guerra comercial e temores de desaceleração da economia global. O volume total negociado foi de R$ 16,1 bilhões.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, a explicação para a resistência do Ibovespa frente ao exterior negativo é o maior otimismo do mercado com relação à reforma da Previdência e o “melhor entendimento entre os Poderes”, apesar de estranhar a alta de hoje.

Além da expectativa de andamento da Previdência e do possível pacto entre os Poderes, analistas citam as votações de medidas no Congresso e declarações dadas hoje por membros do governo, como do ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes disse ver a possibilidade de um destravamento da economia no curto prazo, além de ressaltar a importância de microreformas que estariam sendo feitas, e não só das macroreformas.

Já no exterior, bolsas europeias e norte-americanas tiveram fortes perdas, com destaque também para as perdas das treasuries (títulos públicos norte-americanos). A maior tensão comercial entre China e Estados Unidos segue preocupando, já que há rumores de que a China está preparando retaliações, e de que a guerra comercial comece a afetar de forma mais forte a economia.

Entre as ações, as de bancos ficaram entre as que mais puxaram a alta do Ibovespa, apesar de desaceleraram ganhos ao longo do dia, como as do Bradesco (BBDC4 1,99%) e Itaú Unibanco (ITUB4 1,88%). As maiores alta do índice, por sua vez, foram das ações da Sabesp (SBSP3 4,29%) e da BR Distribuidora (BRDT3 4,06%). Na contramão, as maiores quedas foram das ações de frigoríficos, como da JBS (JBSS3 -6,33%) e da BRF (BRFS3 -5,49%). Analistas acreditam que os papéis estão sentindo o aumento de preços de grãos nos últimos dias, depois de atraso no plantio nos Estados Unidos em meio chuvas intensas.

Amanhã, além de continuarem a observar o ambiente político e a guerra comercial, investidores irão esperar os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com expectativa de que possa vir fraco. Segundo mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, a economia brasileira deve interromper dois anos seguidos de crescimento e cair 0,20% no primeiro trimestre deste ano em relação aos últimos três meses do ano passado.

“Teremos que ver como que o mercado vai lidar se o PIB vier mais negativo e também como o investidor estrangeiro irá ver o número, mas pelo andar da carruagem, parece que a tendência do Ibovespa continua sendo de alta se não houver uma piora lá fora”, disse o sócio da DNAInvest, Alfredo Sequeira. Amanhã, ainda será divulgado o PIB dos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou em queda de 1,19% no mercado à vista, negociado a R$ 3,9760 para venda, próximo à mínima do dia de R$ 3,9750 (-1,22%), rompendo uma sequência de dez pregões seguidos acima de R$ 4,00. O otimismo local prevaleceu durante toda a sessão entre os investidores na esteira dos avanços de pautas econômicas no Congresso, além do sentimento de avanços na tramitação da reforma da Previdência. O real foi a moeda de melhor desempenho entre as divisas de países emergentes.

“A aprovação da [medida provisória] MP 870, que trata da reforma administrativa e que manteve a decisão de deixar o Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] sob a responsabilidade do ministério da Economia, além do contentamento de ontem com a reunião entre os líderes dos Três Poderes, foram determinantes para esse movimento”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho.

Já o estrategista-chefe de uma corretora local destaca o viés de correção com investidores locais “O andamento das MPs e pacto firmado entre os poderes executivo, legislativo e judiciário contribuem para o investidor local desfazer parte do seu hedge [proteção] que ele havia montado nos últimos dias. Ao contrário dos outros ativos, ontem, o dólar se movimentou menos do que poderia. O cenário é de atraso de desmonte dessas posições”, avalia.

Lá fora, ao contrário, voltou o clima de tensão entre investidores “com medo” de recessão global, o que fez a aversão ao risco subir, reforça o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Amanhã, com a agenda de indicadores pesada em meio à divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e dos Estados Unidos, a expectativa é de volatilidade e correção do dólar, voltando a ficar pressionado acima de R$ 4,00.

“O PIB brasileiro deve vir negativo e há uma expectativa de o indicador norte-americano reforçar o resultado da primeira leitura com avanço da economia nos Estados Unidos. Com isso, a moeda local tem espaço para seguir o cenário externo, ainda mais se não tiver nada de novo na política amanhã. O que abre margem para correção após a forte queda de hoje”, diz o analista da Toro Investimentos, Thiago Tavares.

Já a economista-chefe de uma corretora nacional chama a atenção para o impacto dos PIBs no mercado amanhã. “Tem força para mexer nos ativos”, afirma. Enquanto Rosa, da SulAmérica, destaca que os números poderão confirmar um “ambiente de fragilidade, em que a economia perdeu tração, acompanhado da queda nos níveis de confiança, e que repercutiu em desvalorização contínua nos indicadores físicos de atividade econômica”.

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