Ibovespa cai pressionado por preocupação com guerra comercial

11/07/2018 18:31:45

Por: Danielle Fonseca / Agência CMA

São Paulo – Após um período positivo para a Bolsa, o Ibovespa fechou em queda pelo segundo pregão seguido, com perdas de 0,61%, aos 74.398,55 pontos, refletindo o aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, que impactou ainda os preços do petróleo e do minério de ferro.

“No exterior, permanece o cenário mais adverso para os ativos de risco. As bolsas da Europa recuaram, e os mercados em Nova York seguiram a mesma direção. Para as commodities, o dia também é mais negativo”, disse o analista da Guide Investimentos, Rafael Passos.

O cenário de aversão ao risco aumentou hoje depois que o governo dos Estados Unidos admitiu que está estudando a aplicação de taxas de 10% a cerca de US$ 200 bilhões em produtos importados da China. Essa ameaça está impactando os preços de commodities, como os do minério de ferro, que fecharam em queda na China, e do petróleo, que chegaram a cair mais de 6% nesta tarde.

As ações ligadas a commodities sentiram os reflexos, como as da Vale (VALE3 -1,35%) e de siderúrgicas, que ficaram entre as principais baixas, como as da CSN (CSNA3 -5,01%) e Usiminas (USIM5 -4,44%). A desvalorização dos papéis da Petrobras (PETR4 -1,91%) também pesou sobre o índice.

Por outro lado, entre as maiores altas, ficaram os papéis da Suzano (SUZB3 4,23%), da RD (RADL3 3,87%)e as da Eletrobras (ELET6 2,17%). As ações da estatal de energia reagiram à aprovação na Câmara dos Deputados da venda das suas distribuidoras, embora a privatização da estatal ainda possa demorar.

Nos próximos dias, investidores devem continuar observando os efeitos dos conflitos comerciais no exterior, além do cenário político doméstico. Para a economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Fabiana D’Atri, as tensões comerciais têm se concretizado e já têm impactos não só sobre os mercados, mas sobre a confiança e a economia global, que podem continuar.

“Difícil prever o desfecho dessas tensões, mas acreditamos que há uma perda de dinamismo global, fluxos de capitais menos intensos, com correção de preços dos ativos e uma possível ‘guerra cambial'”, disse ainda D’Atri, em relatório.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

 

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