Guedes repete que Previdência está condenada

Por Priscilla Oliveira

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência pública da Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, fala sobre a reforma da Previdência. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Brasília – A Previdência Social é um regime condenado à falência, voltou a afirmar o ministro da Economia Paulo Guedes. Segundo ministro todas as modalidades da previdência estão afetadas e tem “buracos”.

“A velha Previdência é um regime condenado a falência. Já hoje, antes do total envelhecimento da população, há um déficit muito grande. Há uma insustentabilidade financeira do sistema, em todas as modalidades”, afirmou.

O ministro afirmou ainda que sem a reforma pode haver a falta de pagamento da aposentaria e dos benefícios pagos pelo regime. “É preciso um movimento para garantir o pagamento da aposentaria, benefícios e assistência social. Se nada for feito, não tem como fazer os pagamentos”.

Guedes reafirmou também que o sistema atual é uma “fábrica de privilégios”, que beneficia os mais ricos e prejudica os mais pobres em um sistema de transferência de renda injusto. “A velha previdência é uma fábrica de privilégios, uma máquina de transferência perversa de rendas. Taxa os pobres e transfere a renda para os mais favorecidos”.

Guedes também disse que a mudança no regime previdenciário – do atual sistema de partilha, onde a arrecadação de todos é distribuída para o pagamento das aposentadorias, para o de capitalização, onde cada trabalhador contribui apenas para a própria aposentadoria – é uma boa alternativa para as novas gerações. Segundo o ministro, o sistema é garantido e vai permitir que o país cresça.

Ele ressaltou no que no sistema de capitalização o salário mínimo estaria garantido aos aposentados, independentemente do nível de acumulação que foi feito ao longo do tempo. “No futuro, a garantia é de ao menos o salário mínimo.”

Com a aprovação do projeto, Guedes acredita ainda que a poupança irá se democratizar e com isso estimular o crescimento. “Na nova previdência, o sistema de poupança é garantido e vai democratizar. A poupança vai permitir que o país cresça mais rápido, gere mais emprego”.

O regime de capitalização também gera recursos para o futuro, segundo o ministro, o que irá garantir possíveis aportes para o pagamento das aposentadorias.

“A diferença do regime de capitalização e do regime de repartição é que na repartição não se leva nada para o futuro. Na capitalização, você leva recursos para o futuro com infraestrutura, por exemplo. Um país que tem mais capital lá na frente tem inúmeras vantagens, aumentando a produtividade e os investimentos o que garante também maiores aposentadorias.”

Guedes afirmou ainda que o regime atual de repartição não será extinto
com a criação do regime de capitalização. “Não se propõe a eliminação
do regime atual, ele se manterá para sempre”.

“Se o plenário aprovasse uma reforma de R$ 600, R$ 700 bilhões, aí não se permitiria o lançamento de uma nova poupança (capitalização). Não se tem como manter o antigo regime e mais o novo com esse valor. Dentro do R$ 1 trilhão proposto temos confiança no lançamento de um novo regime, sem que seja preciso derrubar o antigo, porque aí a economia vai crescer”, afirmou.

O ministro considera que no Brasil há uma mistura entre a Previdência Social e a Assistência Social que é perversa. “Os mais favorecidos se escondem atrás da Assistência Social e dizem que a reforma é para prejudicar os menos favorecidos, quando na verdade é o contrário”, afirmou.

Guedes afirmou ainda que o sistema atual é perverso e gera desemprego, já que há um custo muito alto na contratação. “Hoje se duplica o custo dos salários. Se ganha pouco, mas se custa muito”.

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