Governo está preparado para ceder em partes da reforma da Previdência

São Paulo – A estratégia do governo torna possível alguns recuos na reforma da Previdência, embora a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com a proposta seja bem enxuta em relação aos pontos que efetivamente influenciam os gastos públicos, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Temos estratégia de negociação”, disse Guedes ontem em entrevista à GloboNews. Segundo ele, o governo “está preparado para ceder em algumas coisas e não ceder em outras”.

O ministro disse que a PEC da Previdência contém alguns trechos que não são obrigatórios nem estão relacionados com a reforma – os chamados “jabutis”, no jargão do Congresso -, e que isso é proposital. Isso, segundo ele, tem como objetivo criar espaço para negociação sobre as alterações ao texto na Câmara dos Deputados e no Senado.

“Alguns [jabutis] foram colocados pelo próprio Marinho [Rogério Marinho, secretário da Previdência], que tem muita experiência. Fez a reforma trabalhista, E tem uma particularmente que ele colocou lá que eu disse: como é que você coloca um negócio desse? Isso aqui é para realmente criar um espaço de negociação”, afirmou Guedes.

Um dos “jabutis” mencionados pelos jornalistas e confirmados pelo ministro é um dispositivo que permitiria alterar a idade máxima de aposentadoria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A redução do limite é algo defendido por membros do PSL e permitiria ao presidente Jair Bolsonaro trocar parte dos integrantes do tribunal.

“Tem coisas [alheias à reforma da Previdência], não são muitas coisas não. A reforma é bem enxuta, bem compacta. Esse negócio da idade, já que é aposentadoria, coloca isso aí politicamente porque antigamente era assim. Da mesma forma que o governo anterior alongou mandatos para possivelmente se beneficiar de alguma coisa no Supremo”, disse Guedes.

O ministro, porém, disse desconhecer quais são os jabutis. “Sinceramente não sei. Faço a parte técnica e entrego. Aquilo vai para a Casa Civil, a gente faz questão que a coisa técnica mantenha a integridade. Aí entra lá no pipeline deles, vão, mexem aqui, mexem ali”, acrescentou.

Gustavo Nicoletta / Agência CMA

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