Governo do Irã anuncia saída de partes do acordo nuclear

Por Carolina Pulice

Presidente do Irã, Hassan Rouhani. Foto: Presidência do Irã

São Paulo – O governo do Irã anunciou a renúncia de partes do acordo nuclear firmado em 2015, sob a alegação de proteção da segurança e dos interesses do país.

“Para proteger a segurança e os interesses nacionais da população do Irã, o Conselho Supremo Nacional da República do Irã decidiu enviar uma ordem para parar algumas das medidas do país sob o acordo, a partir de hoje”, afirmou a presidência do país em um comunicado.

Segundo o comunicado, a data da decisão é simbólica, pois ocorre um ano após os Estados Unidos terem saído do acordo, e após o país ter dado tempo “considerável para compensar os impactos e as consequências da saída dos Estados Unidos”. “Infelizmente, a boa vontade da população iraniana permaneceu sem resposta, e nenhum mecanismo operacional foi colocado para compensar as sanções dos Estados Unidos”, argumentou o governo iraniano.

“Por isso, a República do Irã não se compromete a respeitar os limites para enriquecer urânio e reservas de água pesada”, comunicou. O comunicado diz ainda que dará 60 dias para que os outros países que permaneceram no acordo “completem suas obrigações”, especialmente em questões bancárias e petrolíferas, ou o país vai suspender os limites do enriquecimento de urânio e outras obrigações “passo a passo”.

“A janela que está aberta para a diplomacia não ficará aberta por muito tempo, e os Estados Unidos e os outros países-membros serão completamente responsáveis pela falha do acordo e qualquer possível consequência”.

O acordo, assinado em 2015 pelos Estados Unidos, Irã, França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China – é conhecido como JCPOA (Plano de Ação Abrangente Conjunto, em inglês), e tinha como objetivo reduzir a produção de urânio do Irã. Em troca, os países-membros reduziriam as sanções impostas contra o país.

No dia 8 de maio de 2018, o governo do presidente Donald Trump, anunciou a saída do acordo, sob a alegação de que o país do Oriente Médio não o cumpria apropriadamente. Com a saída, o governo norte-americano passou a reimplementar sanções contra o Irã.

A mais recente e dura sanção imposta foi a do fim das isenções para países compradores de petróleo iraniano. Com isso, o governo norte-americano passou a ter como alvo a commodity iraniana, principal fonte de renda do país.

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