Governo deve conseguir manter Coaf no Ministério da Justiça

Por Gustavo Nicoletta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

São Paulo – O Palácio do Planalto deve conseguir manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) dentro do Ministério da Justiça, conforme delineado na versão original da Medida Provisória (MP) 870/2019, que trouxe a nova organização dos ministérios federais, afirmou o presidente Jair Bolsonaro.

“Sugerimos o Coaf para o [ministro da Justiça, Sérgio] Moro, para que ele tenha mais facilidade para trabalhar no combate à corrupção e lavagem de dinheiro. Vai para o plenário. Pelo o que eu sei o PSL vai defender a manutenção na [pasta da] Justiça, vai pedir votação nominal, e tem tudo para ser mantido com o Moro”, disse o presidente em entrevista concedida ontem à rádio Bandeirantes.

A transferência do Coaf para o Ministério da Justiça, conforme prevista na MP 870, foi ameaçada por uma comissão mista que votou na semana passada sobre a medida provisória. O grupo preferiu manter o órgão dentro do Ministério da Economia, e a decisão foi vista como uma derrota para o governo. Agora, o assunto será analisado pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro, porém, minimizou a alteração feita pelos congressistas à MP. “Vamos supor que vai lá para o Paulo Guedes, o ministro da Economia. Poxa, vai ter uma linha direta com o Ministério da Justiça. Nossos ministros conversam entre si. É medida inócua, no meu entender. O Moro, precisando de informações, vai ter as informações”, afirmou o presidente.

Bolsonaro, porém, reiterou que o Coaf precisa operar dentro dos limites legais previstos para órgãos com atuação ligada a dados bancários. “O Coaf tem que ter limitação. Não pode vazar? Não pode vazar. A gente pode não gostar da lei em relação a isso, mas se infringi-la, alguém tem que pagar o pato”, afirmou.

A família de Bolsonaro foi alvo do vazamento de informações obtidas pelo Coaf. Os dados trouxeram suspeitas de corrupção para perto de seu filho e senador, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

De acordo com informações divulgadas na imprensa, um relatório do conselho mostrou que Fabrício Queiroz, assessor de Flávio, movimentou mais de R$ 1,2 milhão num período de aproximadamente um ano e depositou R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, esposa de Jair.

O documento do Coaf teria apontado também que outros servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro fizeram depósitos numa conta de Queiroz. O caso ainda está em investigação.

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