Frete tabelado custará R$ 3,3 bi a mais à indústria paulista, diz Fiesp

11/07/2018 19:19:45

Por: Flávya Pereira / Agência CMA

São Paulo – O tabelamento do frete deve gerar custo adicional de R$ 3,3 bilhões à indústria no Estado de São Paulo no segundo semestre deste ano, estima a pesquisa “Rumos da Indústria” da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que consultou 400 empresas.

Segundo a pesquisa, o aumento equivale a um gasto mensal extra de R$ 469,6 milhões com frete. Além disso, se a tabela de preço mínimo for mantida, 55,3% das empresas pretendem repassar, de forma integral ou parcial, o reajuste do frete para o preço do produto.

Repasse que já é percebido pelas empresas pesquisadas, em que metade delas (50,1%) sentiu o aumento do preço de insumos quando o valor do frete é pago pelo fornecedor. O impacto foi de 2% sobre o gasto com insumo das empresas.

“Depois de três anos pressionadas pelo fraco desempenho da economia, as indústrias do Estado estão com pouca margem para absorver esse aumento sem repassar para os preços dos seus produtos. No entanto, esse repasse ocorre em um momento de fraca recuperação da economia, o que deve levar a uma queda das vendas, conforme projetado pelas próprias empresas”, diz o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

Do total de empresas entrevistadas, 24,5% projetam queda das vendas dos produtos, que podem cair 1,7%. Para que o recuo não seja maior, 14,2% das empresas afirmaram que deram desconto no valor dos produtos quando o frete é pago pelo cliente.

Outro dado é que a maior parte da indústria está sujeita a sofrer impacto do tabelamento do frete, já que 59,5% das empresas pesquisadas não têm frota própria para coleta ou entrega de produtos. Outras 39,1% possuem frota própria, porém, 28,2% delas afirmaram que a frota atende totalmente a necessidade de frete da empresa.

Nesta tarde, foi aprovada no plenário da Câmara a Medida Provisória 832/2018 que institui a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Os deputados ainda votam destaques. Na avaliação de Roriz, a aprovação “representa um grande retrocesso, em que fixar preços mínimos viola o princípio da livre-iniciativa e é ineficaz”, diz.

Edição: Eliane Leite (e.leite@cma.com.br)

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