FMI vê demanda moderada e baixa produtividade como obstáculos no Brasil

Por Carolina Gama

São Paulo – A economia brasileira está em um processo de lenta recuperação, que esbarra em uma demanda agregada moderada e na baixa produtividade, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado ontem sobre as condições econômicas do país, conhecido como artigo IV.

Bandeira do Brasil (Foto: Cesar Firmino / FreeImages)

Diante desse cenário, o FMI espera que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresça 0,8% este ano e acelere para 2,4% em 2020 condicionado à aprovação de uma robusta reforma previdenciária e de condições financeiras favoráveis. Em 2018, a economia brasileira cresceu 1,1%.

“Os indicadores econômicos de curto prazo mostram fraqueza no primeiro semestre de 2019. O investimento permanece moderado, dada a grande capacidade ociosa e a incerteza sobre as perspectivas de reformas fiscais e estruturais”, diz o FMI.

Segundo o Fundo, o fraco crescimento global e a recessão na Argentina estão atrasando as exportações brasileiras, o que contribuiu para um aumento do déficit em conta corrente para 0,8% do PIB no ano passado.

“A postura fiscal foi amplamente neutra em 2018, com uma ligeira melhoria no saldo primário do setor público não financeiro para 1,7% do PIB”, afirma do FMI.

O Fundo destaca ainda que o banco central brasileiro mantém a taxa básica de juros em 6,5% desde março de 2018, proporcionando à economia algum estímulo monetário. “A inflação cheia está em torno da meta de 4,25% para 2019, enquanto o núcleo da inflação é mais moderado. A melhoria nas condições sociais estagnou nos últimos anos, em parte devido às elevadas taxas de desemprego”, diz o FMI.

Apesar de um cenário mais desafiador, o Fundo lembra que a posição externa do Brasil permanece forte graças a uma grande quantidade de reservas, uma taxa de câmbio flexível e um déficit em conta corrente totalmente financiado por grandes entradas de investimento estrangeiro direito.

“O sistema financeiro está bem capitalizado. As margens de intermediação no setor bancário continuam altas, dificultando a demanda de crédito e o investimento”, acrescenta o FMI.

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