FMI reduz projeção de crescimento da economia mundial em 2018

09/10/2018 09:14:48

Por: Pâmela Reis / Agência CMA

Lagarde

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. (Foto: Divulgação/FMI)

São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu de 3,9% para 3,7% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial tanto para este ano como para o próximo, citando os riscos e incertezas crescentes, entre eles, as disputas comerciais e os problemas enfrentados por países emergentes. Em 2017, o PIB mundial cresceu 3,7%.

“A expansão constante que está em curso desde meados de 2016 continua, com o crescimento em 2018 e 2019 projetado para permanecer no nível de 2017”, diz o relatório trimestral do FMI com projeções econômicas. “Ao mesmo tempo, a expansão se tornou menos equilibrada e pode ter atingido um pico em algumas grandes economias. Os riscos ao crescimento têm aumentado nos últimos seis meses e o potencial de surpresas positivas tem diminuído”.

Segundo o FMI, o rebaixamento das projeções reflete fatores que pressionaram a atividade no início de 2018 em algumas economias avançadas, bem como efeitos negativos das tarifas comerciais adotadas entre abril e setembro e o cenário mais fraco para alguns dos principais países emergentes, derivado de questões individuais, condições financeiras mais apertadas, tensões geopolíticas e preços maiores de petróleo.

Nas economias avançadas, a previsão de crescimento do PIB de 2018 ficou inalterada em 2,4%, enquanto para 2019 a projeção caiu de 2,2% para 2,1%. Em 2017, o crescimento foi de 2,3%. Já nos países emergentes e em desenvolvimento a projeção do FMI é de crescimento de 4,7% este ano e no próximo, enquanto as projeções anteriores apontavam expansão de 4,9% em 2018 e 5,1% em 2019. Em 2017 o crescimento também foi de 4,7%.

“Para além dos próximos dois anos, enquanto o hiato do produto se fecha e a postura da política monetária começa a se normalizar, o crescimento na maioria das economias avançadas deve desacelerar para taxas potenciais bem abaixo das médias alcançadas antes da crise financeira”, diz o FMI.

“As perspectivas de médio prazo seguem geralmente fortes na Ásia emergente, mas fracas em alguns mercados emergentes e em desenvolvimento, especialmente para o crescimento per capita, incluindo nos exportadores de commodities que continuam precisando de consolidação fiscal ou que estão envolvidos em guerra e conflitos”, acrescenta o relatório.

Para o FMI, os riscos apontados no primeiro semestre de 2018, como as barreiras comerciais e a reversão dos fluxos de capital de mercados emergentes, se tornaram mais pronunciados ou se materializaram em partes.

“Embora as condições do mercado financeiro continuem acomodatícias nas economias avançadas, elas podem se endurecer rapidamente se as tensões comerciais e a incerteza política se intensificarem, ou se uma inflação inesperadamente alta nos Estados Unidos causarem um aperto monetário maior que o previsto”, diz o FMI.

O fundo destaca que os países devem evitar reações protecionistas e encontrar soluções cooperativas que promovam o crescimento contínuo no comércio de bens e serviços. Além disso, as autoridades devem aproveitar o momento de crescimento acima do potencial para promover reformas que elevem a renda no médio prazo e para reconstruir espaço fiscal que permita reagir a um eventual aperto repentino nas condições financeiras.

 

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