FMI reduz projeção de alta do PIB dos EUA em 2019 de 2,7% para 2,5%

09/10/2018 14:53:41

Por: Carolina Gama / Agência CMA

Foto: Oscar Murgui / FreeImages.com

São Paulo – As disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos terão reflexo direto no desempenho da economia do país a partir de 2019, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,5%, segundo as novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). A estimativa é 0,2 ponto percentual (pp) menor do que a previsão de julho. Em 2020, a desaceleração deve ser ainda mais forte, com expansão de 1,8%, devido à dissipação dos estímulos fiscais.

A administração de Donald Trump está engajada em várias disputas comerciais com seus principais parceiros. Washington impôs bilhões em tarifas sobre bens fabricados na China, além de já ter adotado sobretaxas ao aço e alumínio importados de outros países. O governo também tenta negociar a queda de barreiras com a União Europeia (UE) após ameaças de tarifar o setor automotivo do bloco.

Para este ano, a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano foi mantida em 2,9%, mesma projeção feita em julho. O crescimento de 2018, segundo o órgão, será impulsionado por estímulos fiscais pró-cíclicos e pelas condições financeiras mais favoráveis, que se mantêm mesmo diante da continuidade do aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

“A forte demanda interna deve levar a economia para além do pleno emprego e aumentar as importações, além de ampliar o déficit em conta corrente”, diz o FMI no relatório. O Fundo espera que o crescimento dos Estados Unidos no médio prazo diminua temporariamente abaixo do potencial, para 1,4%, à medida que o hiato positivo da produção se fecha gradualmente.

Além de alertar para o impacto das disputas comerciais, o Fundo também chama atenção para a situação fiscal dos Estados Unidos. Segundo o órgão, os cortes de impostos e o aumento de gastos do governo ampliarão o déficit fiscal do país, que já estava deteriorado por conta de despesas relacionadas ao envelhecimento da população.

“O déficit maior não apenas reduzirá os recursos orçamentários para o investimento em reformas do lado da oferta como aumentará a dívida pública já insustentável. Com a economia dos Estados Unidos operando acima do potencial, a política fiscal expansionista poderia levar a uma surpresa inflacionária, que deve desencadear um aumento mais rápido do que o esperado nas taxas de juros do país, um aperto nas condições financeiras globais e uma apreciação do dólar”, afirma o FMI.

O Fed elevou no mês passado a taxa de juros em 0,25 pp, para a faixa entre 2,00% e 2,25% ao ano, no terceiro aperto monetário de 2018. Na ocasião, a autoridade monetária confirmou mais um aumento para este ano e outros três para 2019, reforçando o ritmo gradual de retirada da acomodação no país.

A estratégia do Fed é baseada na força da economia interna, no aquecimento do mercado de trabalho – cuja taxa de desemprego atingiu o menor patamar desde 1969 em setembro, a 3,7% – e na aceleração da inflação, que foi de 2,2% em agosto segundo o índice de preços para gastos pessoais (PCE), acima da meta de 2,0% do banco central.

Edição: Pâmela Reis (pamela.reis@cma.com.br)

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