FMI corta projeção de alta do PIB mundial de 3,3% para 3,2% em 2019

Por Carolina Gama e Cristiana Euclydes

São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a projeção de crescimento para a economia mundial neste ano e no próximo, citando a escalada da disputa comercial entre Estados Unidos e China, as incertezas ligadas ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia – Brexit – e o aumento dos riscos geopolíticos com efeitos nos preços da energia.

Bandeiras no prédio do Fundo Monetário Internacional (FMI) / Foto: FMI

De acordo com as novas projeções do FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial crescerá 3,2% em 2019 de previsão de alta de 3,3% feita no relatório de abril. Em 2018, a economia mundial cresceu 3,6%. Em 2020, a expansão será de 3,5%, abaixo dos 3,6% projetados em abril.

“A divulgação de PIBs até o momento, juntamente com uma inflação branda, apontam para uma atividade global mais fraca do que o previsto. O investimento e a demanda por bens de consumo duráveis estão abaixo do potencial e as economias emergentes assim como os gastos das família estão
segurando investimentos em longo prazo”, diz o FMI no relatório.

Diante desse cenário, o comércio global, que é intenso em maquinário e produtos de consumo, continua lento, segundo o Fundo.

“A recuperação projetada para o crescimento em 2020 é precária, presumindo-se a estabilização das economias emergentes e em desenvolvimento, atualmente em fase de estresse, e no avanço para a resolução de diferenças nas políticas comerciais”, afirma o FMI.

O relatório aponta ainda que os riscos das previsões seguem inclinados para o lado negativo, incluindo novas tensões comerciais e tecnológicas que afetam a confiança e o investimento.

“Um prolongado aumento na aversão ao risco revela que as vulnerabilidades financeiras continuam se acumulando após anos de baixas taxas de juros e crescentes pressões desinflacionárias que aumentam as dificuldades ligadas ao serviço da dívida, restringem o espaço da política monetária para combater desacelerações e tornam os choques adversos mais persistentes do que o normal”, acrescenta o FMI.

Para mitigar esses riscos, o Fundo recomenda ações multilaterais e nacionais para fortalecer o crescimento global, entre elas, a redução das disputas comerciais e tecnológicas e a resolução de processos que são fontes de incertezas como o Brexit. “Especificamente, os países não devem usar tarifas para atingir saldos comerciais bilaterais ou como um substituto para o diálogo de outros para reformas”, diz o FMI.

Com demanda final moderada e inflação branda, o Fundo vê a política monetária acomodatícia como apropriada em economias avançadas e em mercados emergentes e em economias em desenvolvimento, onde as expectativas são ancoradas.

ESTADOS UNIDOS

O FMI revisou para cima sua projeção para o crescimento da economia dos Estados Unidos este ano, para 2,6%, ante projeção anterior de alta de 2,3%, divulgada em abril. A previsão para o ano que vem, por sua vez, ficou inalterada em 1,9%. Em 2018, a economia dos Estados Unidos avançou 2,9%.

“A revisão do crescimento de 2019 reflete um desempenho mais forte do que o antecipado do primeiro trimestre”, diz o FMI. O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,1% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao trimestre imediatamente anterior em termos anualizados, segundo dados do Departamento do Comércio do país.

“Embora o número principal tenha sido forte, apoiado nas exportações robustas e no acúmulo de estoques, a demanda doméstica foi um pouco mais suave do que o esperado e as importações também vieram mais fracas, refletindo em parte o efeito das tarifas”, segundo o FMI.

CHINA

O Fundo revisou para baixo sua previsão para o crescimento da economia da China para este ano e o próximo, citando os efeitos negativos das tensões comerciais com os Estados Unidos.

O PIB da China deve crescer 6,2% em 2019, ante a expectativa de alta de 6,3% divulgada pelo FMI no relatório anterior, em abril. Para 2020, a previsão também foi rebaixada, de 6,1% para 6,0%. Em 2018, a economia chinesa cresceu 6,6%.

“Os efeitos negativos da escalada de tarifas e enfraquecimento da demanda externa aumentaram a pressão sobre uma economia que já enfrenta uma desaceleração estrutural e precisa de reforço regulatório para apoiar a atividade em face ao choque externo adverso”, segundo o FMI.

EUROZONA

O FMI manteve a projeção de crescimento da eurozona para este ano em 1,3% e elevou a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) da região para alta 1,6%, de 1,5% projetados em abril. Em 2018, a eurozona cresceu 1,9%.

No centro das projeções para a eurozona estão as performances de Alemanha, França, Itália e Espanha. No caso alemão, a demanda externa mais fraca pesa sobre o crescimento econômico, enquanto na França, as medidas do governo devem apoiar a expansão do país.

BRASIL

O Fundo revisou em forte baixa a projeção de crescimento do Brasil para este ano, passando-a para 0,8% de 2,1% previstos em seu relatório de abril. Em 2018, a economia brasileira cresceu 1,1%.

Para 2020, a estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,4% e não mais 2,5% como projetado anteriormente.

Em seu novo relatório, o FMI indica que a confiança se enfraqueceu consideravelmente à medida que persiste a incerteza sobre a aprovação das reformas da previdência e de outras reformas estruturais.

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