Fed pode ajustar política para inflação com tarifas à China

Por Carolina Gama

São Paulo – A escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China ganhou mais um capítulo, com o aumento de tarifas a bens chineses. A decisão, anunciada no final da semana pelo presidente Donald Trump e que entrou em vigor hoje, pode ter impacto direto na atual postura do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) com relação aos juros.

Federal Reserve
Prédio do Federal Reserve em Washington (Federal Reserve/Divulgação)

De acordo com especialistas consultados pela Agência CMA, o aumento de tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses, se não for revertido, deve acelerar a inflação nos Estados Unidos.

Cálculos do Deustche Bank mostram que, desconsiderando ajustes no iuane com relação ao dólar, o núcleo da inflação – que exclui alimentos e energia – aceleraria em 0,4 ponto percentual. “À medida que as empresas são capazes de encontrar alternativas às importações da China, o efeito sobre os preços seria mitigado. Ainda assim, juntamente com a passagem de alguns fatores transitórios que têm derrubado os preços, a inflação tende a acelerar”, disseram economistas do banco alemão em nota.

PREÇOS AO CONSUMIDOR

Mais cedo, o Departamento do Trabalho norte-americano informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em abril ante março e teve alta de 2,0% em 12 meses. Excluindo alimentos e energia, o CPI subiu 0,1% me base mensal e 2,1% no ano.

Já o núcleo do índice de preços para gastos pessoais (PEC, a medida de inflação preferencial do Fed) subiu 1,6% em março em termos anuais, abaixo dos 2,0% estabelecidos como meta pelo banco central.

“Alguns membros do Fed se importam com essas casas decimais na taxa de inflação, portanto, com o núcleo do PCE agora em 1,6%, alguns membros do Fed favoráveis ao afrouxamento monetário podem falar sobre a necessidade de proteger as expectativas de inflação”, disse o economista da CIBC Economics, Avrey Shenfeld.

Na reunião de política monetária do início do mês, o presidente do Fed, Jerome Powell, atribuiu a baixa inflação a fatores transitórios. Na ocasião, ele indicou que manteria a taxa de juros na faixa entre 2,25% e 2,50% ao ano e que seria paciente em futuros ajustes da política monetária.

“Esperamos que o núcleo do CPI permaneça em torno dos níveis um pouco acima da meta nos próximos meses, antes de subir mais no final do ano devido aos efeitos defasados do reajuste dos salários”, afirmou o economista da Nordea, Anders Svendsen.

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