Fed deve cortar juros em 0,25 pp e dar sinais de mais afrouxamento

Por Carolina Gama

São Paulo – O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve anunciar na quarta-feira uma decisão que não é vista nos Estados Unidos em mais de uma década: o corte da taxa de juros. A maioria dos especialistas consultados pela Agência CMA aposta em uma redução de 0,25 ponto percentual (pp), mas ainda há quem não descarte uma ação mais profunda, com uma redução de 0,50 pp. Atualmente, os juros estão na faixa de 2,25% a 2,50% ao ano.

Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

“Esperamos um corte de 0,25 pp na reunião do Fomc em 31 de julho, o primeiro em mais de dez anos. O Fed provavelmente reiterará que está monitorando os riscos, mantendo a porta aberta para reduções adicionais”, disse o economista chefe do Société Générale, Stephen Gallagher.

Ele aposta em mais em um afrouxamento ainda este ano. “Os dados econômicos são saudáveis, criando uma tensão natural entre cortes baseados em riscos e evidências atuais”, acrescentou Gallagher.

Apesar de um surto de dados econômicos melhores do que o esperado, em aparições públicas recentes, os formuladores da política monetária norte americana – particularmente o presidente do Fed, Jerome Powell – fizeram pouco para reduzir as expectativas em torno de um corte de juros.

Em seus últimos discursos, Powell enfatizou que o banco central norte-americano está pronto para agir para sustentar o crescimento econômico dos Estados Unidos em um momento no qual as incertezas ligadas ao comércio e à desaceleração global estão aumentando.

“O resultado mais provável em nossa visão é que o Fomc reduzirá a taxa de juros em 0,25 pp, enfatizando os riscos para as perspectivas do crescimento global e as incertezas comerciais, bem como a inflação persistentemente baixa”, afirmou o economista chefe do Wells Fargo, Jay Bryson.

AÇÃO MAIS AGRESSIVA

Os mercados financeiros têm algumas dúvidas com relação ao ritmo do afrouxamento monetário, mas as expectativas seguem bem ancoradas em termos de direção, segundo os especialistas.

“Os últimos comentários de membros do Fed reforçaram as expectativas do mercado de que a mudança global em direção a taxas de juros mais baixas continuará. Achamos que esta mensagem está correta, embora o momento e a escala dos cortes possam divergir”, disse o economista da Capital Economics, Oliver Jones.

Em um desses discursos, o presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, disse que sua pesquisa mostra que, quando os juros estão próximos de zero, um banco central deve “agir rapidamente para baixar as taxas ao primeiro sinal de dificuldade econômica”.

Após as observações, os traders elevaram as apostas em um corte de 0,50 pp para mais de 70%, de acordo com dados compilados pelo CME Group, baseados nos contratos futuros dos fed funds. Horas depois, o Fed de Nova York emitiu uma nota explicando que o discurso de Williams era acadêmico e não endossava potenciais ações do Fomc na reunião deste mês.

Nos últimos dois meses, os traders aumentaram as apostas em uma perspectiva de corte da taxa básica, ainda segundo o CME Group. Em maio, o mercado não via chances de um corte de 0,5 pp nos juros. Em junho, essa probabilidade passou a 43% e atualmente está na casa dos 20%.

O UBS Group, um dos poucos bancos de investimento que prevê um corte de 0,5 pp neste encontro, baseia-se em declarações de Powell no início do mês como prova de que o banco central norte-americano pretende evitar uma desaceleração econômica por meio de um corte profundo.

AÇÃO BASEADA EM DADOS

A maioria dos analistas ouvidos pela Agência CMA, no entato, diz que é difícil imaginar que o Fed reduza a taxa de juros de maneira mais agressiva com os dados indicando que a economia norte-americana segue resiliente.

Nas últimas semanas, números do mercado de trabalho, de inflação e de vendas do varejo surpreenderam positivamente. Até mesmo o setor industrial – que tem atravessado problemas desde o início do ano – começou a recuperar: os dados do Fed mostraram que a produção nas fábricas dos Estados Unidos subiu em junho.

“Em resumo, o Fed provavelmente reduzirá a taxa de juros em 0,25 pp na quarta-feira. Além da reunião de julho, as perspectivas para novos ajustes provavelmente serão conduzidas em uma base de reunião em reunião”, afirmou o economista sênior do Deutsche Bank, Brett Ryan.

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