Draghi reafirma amplo grau de acomodação monetária na eurozona

O presidente do Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Foto: Divulgação/BCE

São Paulo – O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que um amplo grau de acomodação monetária ainda se faz necessário na eurozona para garantir condições favoráveis de financiamento e apoiar a expansão econômica da região, além ajudar na convergência da inflação para meta abaixo mais próxima de 2% no médio prazo.

“Estímulos monetários significativos estão sendo oferecidos via orientação futura sobre as taxas de juros e sendo reforçadas pelo tamanho dos reinvestimentos sobre ativos adquiridos e por uma nova série de TLTRO”, disse Draghi em discurso no fórum do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington.

Na reunião de política monetária do mês passado, o BCE anunciou uma nova rodada de operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTROs, na sigla em inglês) em uma tentativa de manter as condições de crédito favoráveis e apoiar o acesso ao financiamento, em particular para pequenas e médias empresas.

Na ocasião, a autoridade monetária manteve a taxa básica de juros em zero, a taxa de depósitos em -0,4% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano. O BCE reiterou que as taxas de juros só devem ser elevadas no final de 2019.

No discurso de hoje, Draghi defendeu ainda reformas estruturais como forma de complementar os esforços do BCE para impulsionar a economia. “Na eurozona, para colher todos os benefícios das nossas medidas de política monetária, outras áreas devem contribuir de forma mais decisiva para aumentar o potencial de crescimento no longo prazo e reduzir as vulnerabilidades. A implementação de reformas estruturais deve ser intensificada”, disse.

DEPENDÊNCIA DA EXPANSÃO GLOBAL

A economia da eurozona passa por um momento de desaceleração. Segundo Draghi, as disputas comerciais são responsáveis, junto com outros fatores, pelo crescimento menor e essa condição só será revertida com a cooperação multilateral.

“As perspectivas para a eurozona dependem do ímpeto de crescimento global. A escalada das tensões comerciais, a desaceleração da produção global e uma virada no ciclo de tecnologia aumentaram os obstáculos externos à eurozona”, afirmou Draghi.

“A cooperação multilateral é necessária para reduzir os atritos comerciais e mitigar os riscos de grandes perturbações na atividade econômica global e na estabilidade financeira. Preservar a abertura é crucial para que a economia global prospere e assegure seu potencial de crescimento”, acrescentou.

No início da semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou suas projeções econômicas e passou a prever um crescimento de 1,3% para a eurozona este ano e de 1,5% em 2020, após uma expansão de 1,8% em 2018.