Draghi, do BCE, sinaliza novos estímulos em meio a inflação fraca e riscos à economia

Mario Draghi
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), . (Foto: Divulgação/BCE)

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – O Banco Central Europeu (BCE) pode cortar suas taxas de juros de referência ou expandir seu programa de compra de ativos, para levar a inflação da zona do euro para a meta e responder a desafios à economia da região, disse o presidente do BCE, Mario Draghi.

“Novos cortes nas taxas de juros de política e medidas de mitigação para conter quaisquer efeitos colaterais permanecem como parte de nossas ferramentas”, disse ele, em texto preparado para discurso no Fórum de Bancos Centrais do BCE, em Sintra, Portugal. “E o programa de compra de ativos (APP, na sigla em inglês) ainda tem espaço considerável”, afirmou.

Draghi sinalizou que novas medidas de afrouxamento monetário podem vir tão cedo quanto na próxima reunião do Conselho do BCE, em julho. “Nas próximas semanas, o Conselho do BCE irá deliberar de que modo os nossos instrumentos podem ser adaptados à gravidade do risco para a estabilidade de preços”, disse ele.

“Assim como nosso quadro de políticas evoluiu no passado para enfrentar novos desafios, o mesmo pode acontecer novamente”, de acordo com Draghi. Ele destacou que riscos permanecem nas perspectivas, com fatores geopolíticos, a crescente ameaça do protecionismo e vulnerabilidades nos mercados emergentes, o que pesou sobre as exportações e a indústria.

“Na ausência de melhorias, de modo que o retorno sustentado da inflação à nossa meta esteja ameaçado, estímulos adicionais serão necessários”, afirmou. Ainda segundo ele, os membros do Conselho do BCE reiteraram, em conversas recentes, sua convicção buscar a meta de inflação perto de 2% de uma forma simétrica.

“Estamos comprometidos com a meta de inflação e não estamos resignados a ter uma taxa de inflação baixa para sempre ou até mesmo por enquanto”, disse. “Continuamos aptos a melhorar nossa orientação futura, ajustando seu viés e sua condicionalidade para considerar as variações no caminho de ajuste da inflação”.

Por fim, Draghi disse que todas essas opções foram discutidas na última reunião do Conselho, em junho. Na ocasião, o BCE manteve a taxa básica de juros em zero, a taxa de depósitos em -0,4% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano. O banco também passou a esperar que os juros serão elevados em 2020, ante previsão anterior de alta no final de 2019.

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