Draghi confirma fim de compra de ativos este ano

08/11/2018 13:59:39

Por: Carolina Gama / Agência CMA

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

Frankfurt – O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, durante entrevista coletiva. (Divulgação/BCE)

São Paulo – O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, confirmou que o programa de compras de ativos – atualmente em 15 bilhões de euros mensais – será encerrado no próximo mês, mas afirmou que os estímulos monetários serão mantidos por meio das taxas de juros baixas, do estoque de títulos já comprados e da política de reinvestimento dos títulos que alcançarem o vencimento.

“Estamos no ponto em que podemos prever – a depender de dados que confirmem nossas projeções de inflação no médio prazo – que as compras de ativos serão encerradas no final do ano, mas ainda serão necessários estímulos
monetários significativos para garantir a convergência sustentada e contínua da inflação para níveis abaixo, mas próximos, de 2% no médio prazo”, diz Draghi em discurso no Parlamento da Irlanda.

Segundo ele, mesmo após o término das compras de ativos, o estímulo monetário continuará a ser fornecido pela orientação oferecida pelo BCE. “Ou seja, esperamos manter as taxas de juros em seus níveis atuais pelo menos
até o verão de 2019 e manter o estoque em nosso balanço patrimonial reinvestindo títulos adquiridos sob o programa de compras por um período prolongado após o término de nossas aquisições de ativos”, afirma.

Draghi também afirmou que os riscos fora da União Europeia (UE) aumentaram desde maio. Ele cita a valorização do dólar e a escalada das tensões comerciais, que também pesaram sobre emergentes. “Embora, os riscos em torno
das perspectivas de crescimento da zona do euro estejam equilibrados, os riscos relacionados ao protecionismo, às vulnerabilidades nos mercados emergentes e à volatilidade do mercado financeiro são proeminentes”, diz. “Estamos vendo uma vontade crescente de questionar o multilateralismo”, acrescenta.

O presidente do BCE, no entanto, disse que as ameaças ligadas à saída do Reino Unido da UE – processo conhecido como Brexit – são baixas para a estabilidade financeira da zona do euro. “É essencial se preparar para todos
os resultados possíveis, incluindo a falta de um acordo. Embora os efeitos diretos do comércio de um Brexit abrupto sejam limitados na zona do euro, a Irlanda está mais exposta devido às suas relações comerciais muito estreitas
com o Reino Unido”, completa.

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