Disputa comercial com China afeta economia e mercado de ações dos EUA

Foto: futureatlas.com/Flickr

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China tem provocado quedas nos investimentos de empresas norte-americanas e afetado negativamente os mercados de ações do país, enquanto os impactos na economia chinesa têm sido mais moderados, de acordo com especialistas do Bank of America Merrill Lynch (BofA).

O banco prevê que a economia norte-americana vai crescer 2,4% este ano e 1,6% no ano que vem, após a alta de 2,9% em 2018. Segundo a chefe do Bank of America Merrill Lynch para economia dos Estados Unidos, Michelle Meyer, o enfraquecimento está concentrado na produção industrial do país, como esperado.

Já os dados de emprego estão melhores e os dados sobre consumo estão bem sólidos, indicando a resiliência da economia norte-americana. “A preocupação é se o enfraquecimento da economia global vai se espalhar para os dados domésticos”, disse ela.

Para a chefe de ações e estratégia quantitativa nos Estados Unidos do BofA, Savita Subramanian, um impacto negativo da disputa comercial tem sido no investimento das empresas norte-americanas. Em maio, as negociações entre os dois países foram interrompidas sem acordo e o presidente norte-americano, Donald Trump, aplicou sanções de 25% a US$ 250 milhões em bens importados da China.

“Desde maio, o capex despencou, após uma tendência saudável até então”, afirmou Subramanian. “As empresas começaram a conter investimentos, pois não sabem como o mundo vai estar”.

Além disso, as tensões comerciais afetam os mercados de ações norte-americanos. Segundo Subramanian, a globalização tem contribuído para impulsionar o índice S&P 500 desde 2004, e a mudança para um tom mais protecionista pode ter impactos negativos. “O mercado de ações se beneficia da economia global. Qualquer ameaça a isso representa riscos”.

Ela disse ainda que, sem qualquer menção à disputas comercial, o índice Dow Jones estaria hoje acima dos 31 mil pontos, superando o nível atual de cerca de 26,6 mil pontos.

Por outro lado, Subramanian disse que um impacto positivo indireto da guerra comercial vem dos sinais de que as cadeias de suprimentos podem estar se movendo de volta para os Estados Unidos. Ela ressaltou que os custos trabalhistas sempre foram um diferencial, pois são mais caros nos Estados Unidos, mas com as empresas evoluindo para o uso da robótica este fator negativo tende a diminuir.

Segundo Meyer, até agora as tensões comercias tiveram um impacto pequeno na economia norte-americana. Os agricultores foram afetados negativamente, mas eles recebem subsídios, enquanto a indústria sofreu choques modestos, disse. Ela afirmou que as importações de bens chineses específicos entraram em colapso.

CHINA

Do lado chinês, o Bank of America Merrill Lynch espera crescimento de 6,1% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, e de 6,0% em 2020, após a alta de 6,6% em 2018. De acordo com o economia sênior global do banco, Aditha Bhave, a economia chinesa deve continua acelerado refletindo os estímulos fiscais vindos do governo.

Ele ressaltou que o desequilíbrio comercial bilateral entre a China e os Estados Unidos aumentou desde o início da disputa comercial, no ano passado. As exportações da China para os Estados Unidos caíram, e as importações caíram ainda mais.

“Um potencial crescimento e expansão nas tarifas dos Estados Unidos pode prejudicar as exportações da China mais significativamente”, disse Bhave. “Mas os interesses comerciais dos Estados Unidos na China são muito maiores do que interesses comerciais chineses nos Estados Unidos”, acrescentou.

Ele explicou que as empresas norte-americanas tem maior exposição à China do que o contrário. “As empresas dos Estados Unidos estão sob pressão”, disse.

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